25/08/2026
Em meio à verticalização da Rua São Clemente, um grande terreno arborizado permaneceu praticamente como uma interrupção na paisagem de Botafogo. No centro dele está um edifício branco, simétrico e de aparência muito diferente dos prédios residenciais que hoje o cercam.
É o Palácio da Cidade — e sua origem não está na administração municipal.
O terreno pertenceu à família Guinle, mas o edifício atual foi construído entre 1947 e 1949 pelo governo britânico para funcionar como sede de sua embaixada no Rio de Janeiro, quando a cidade ainda era o Distrito Federal.
A mudança de função começou a ser desenhada em 1960. Com a inauguração de Brasília e a transferência da capital federal, representações diplomáticas passaram gradualmente a migrar para o Planalto Central.
A antiga sede britânica em Botafogo perdeu sua função original. Em 1975, a Prefeitura do Rio adquiriu o imóvel e o transformou no Palácio da Cidade.
Mas ele não deve ser confundido com o grande centro administrativo municipal da Cidade Nova. O endereço de Botafogo cumpre principalmente funções de representação: recebe cerimônias, reuniões, autoridades e atos oficiais ligados ao prefeito.
O prédio também guarda episódios de sua fase diplomática. Em 1968, quando ainda estava ligado à representação britânica, recebeu a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip durante a visita do casal ao Brasil.
Em 1984, o conjunto foi protegido pelo patrimônio municipal, ajudando a preservar não apenas o edifício, mas também a presença de uma extensa área verde em um dos bairros mais densamente construídos da Zona Sul.
É justamente esse contraste que torna o local tão marcante visto de cima: enquanto Botafogo cresceu verticalmente ao seu redor, a antiga embaixada atravessou décadas e mudou completamente de função sem desaparecer da paisagem.
Imagem ilustrativa.