25/03/2026
A TRAMA QUE ENGOLIU O IMPÉRIO LAGE
O inventário de Henrique Lage já havia definido os percentuais de cada herdeiro. Mas, após sua morte, em 1941, uma sequência de fatos mudou completamente o destino do patrimônio.
Dias depois, morre o legatário instituído no testamento, Álvaro Monteiro de Barros Catão. Parte dos bens estava em nome de prepostos, prática adotada na era de Getúlio Vargas. O acordo era claro: tudo deveria retornar ao espólio. Não retornou.
O ponto mais sensível: valores milionários devolvidos pelo governo, ligados ao Porto de Imbituba, acabaram incorporados ao espólio errado. Indício grave de desvio por erro — ou omissão.
Com esse capital, Francisco João Bocayuva Catão entra em cena. Articula acordos, isola herdeiros e concentra o controle do império.
Em 1958, o Supremo Tribunal Federal, com decisão de Nelson Hungria, anulou a partilha — o famoso processo (30.008). Houve recurso por meio da Ação Rescisória 597 no STF, rejeitada. Ainda assim, a decisão nunca foi cumprida na prática.
Na sequência, uma nova manobra: fora do processo original da 4ª Vara, bens e direitos são transferidos em uma partilha feita na 1ª Vara — um grave erro jurídico.
Uma empresa criada pelo grupo Catão, Henrique Lage Comércio e Indústria, registrou os bens sem resistência, drenando todo o patrimônio de Henrique Lage para si.
Assim se consolidou a manobra.
Resultado: mesmo com participação mínima, o controle total foi consolidado — e a Justiça, envergonhada.
Décadas de silêncio. Decisões ignoradas. Um caso que ainda exige respostas.
No Episódio 3 – OS PERSONAGENS DA TRAMA
Quem são os nomes por trás disso? Vamos falar deles: juristas, herdeiros, militares e articuladores que sustentaram essa engrenagem.