07/09/2026
Essa bela é uma fera na defesa das mulheres em Cachoeiras de Macacu! Helen Malta, coordenadora do Mulher Mais Segura, fala sobre a atuação do programa no município.
Inaugurado em março deste ano, o Programa Mulher Mais Segura continua seu trabalho de acompanhamento e apoio à mulher vítima de violência e em situação de medida protetiva (quando a Justiça determina o distanciamento do agressor, seja ele o marido, companheiro ou namorado). Rosto do programa da Guarda Municipal de Cachoeiras de Macacu, a coordenadora Helen Malta (que é guarda municipal há 7 anos) falou com exclusividade ao Jornal Estado em Notícias sobre os desafios que ela e sua equipe têm enfrentado no cumprimento de seu dever.
- O Programa Mulher Mais Segura é mais do que um sonho. É uma causa que nasceu também de histórias que vivi dentro da minha própria família. Por isso, tenho um compromisso muito pessoal com esse trabalho. Eu amo o que faço e acredito que cada mulher que conseguimos proteger e orientar ajuda a romper o ciclo da violência, e isso faz tudo valer a pena - declarou Helen, que se considera filha da violência.
DURA REALIDADE. Por ter vivido de perto a realidade da violência doméstica, a coordenadora do Mulher Mais Segura sabe o que cada mulher que o programa atende sente quando procura ajuda. "Cada história me toca de uma forma muito particular. Hoje, poder transformar essa experiência em acolhimento, proteção e prevenção dá um sentido muito grande ao meu trabalho", reconheceu.
MEDIDA PROTETIVA. Lembrando que a função do programa é fazer a medida protetiva funcionar na prática, fiscalizando, acompanhando e verificando seu cumprimento, com rondas e vigilância preventiva (na residência e no local de trabalho da vítima). Helen sabe que essa presença traz segurança, proteção e a sensação de que ela (a vítima) não está sozinha.
- Medidas protetivas são decisões judiciais para proteger a mulher em situação de violência e impedir novas agressões. Podem determinar, por exemplo, o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e de contato, inclusive por telefone ou redes sociais, e a restrição de porte de armas - explicou a guarda civil municipal.
STALKING. Previsto no Código Penal, o crime de perseguição, conhecido como stalking, também pode ocorrer no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher. Nesses casos, a conduta pode ser abrangida pela Lei Maria da Penha e justificar a adoção de medidas protetivas de urgência.
Essa perseguição pode ocorrer de diversas formas, como o criminoso seguir a mulher, aparecer repetidamente em sua residência ou local de trabalho, realizar contatos insistentes ou monitorar sua rotina e redes sociais, causando medo, constrangimento ou interferindo em sua liberdade. Em todos os casos de violência doméstica e familiar, o primeiro passo é o registro de ocorrência na delegacia, para, a partir daí, juntar indícios que irão servir de prova contra o acusado.
AGOSTO LILÁS. O mês de agosto foi importante para o Programa Mulher Mais Segura, pois permitiu aos agentes sair um pouco da rotina de atendimento e ir até onde a população está. Em diferentes bairros, escolas, empresas e espaços públicos, os guardas municipais levaram informação, orientação, mostrando que a mulher não precisa enfrentar uma situação de violência sozinha.
- Nós chegamos a mais de 1.300 pessoas diretamente durante as nossas ações. Mas, para mim, esse número representa muito mais do que uma estatística. Cada pessoa que parou para conversar, que recebeu uma informação ou que levou uma mensagem para casa pode ser alguém que, amanhã, vai conseguir orientar uma mulher ou ajudar alguém a buscar proteção - considerou Helen Malta.
LGBT. E o excelente trabalho do Mulher Mais Segura acabou despertando a atenção do público LGBTQIA+, o que levou os guardas municipais do programa a uma capacitação para o atendimento também a estas pessoas. “Agosto, inclusive, é o mês da Visibilidade Lé***ca. Como agentes públicos, precisamos estar preparados para acolher essas pessoas com respeito, conhecimento e sem preconceitos. Quem procura um serviço público espera, acima de tudo, ser bem acolhido e ter seus direitos respeitados", considerou a coordenadora do programa.
MACHISMO. E esse é um dos grandes objetivos do Mulher Mais Segura: fazer com que a vítima de violência doméstica saiba que existe um caminho. Que ela pode ser acolhida, orientada e protegida. “Mas nós também entendemos que não basta atuar somente depois que a violência acontece. Precisamos chegar à raiz do problema, e uma das raízes está na cultura do machismo, em comportamentos que muitas vezes são ensinados desde muito cedo”, reconheceu a coordenadora.
- Precisamos conversar também com os homens. Precisamos mostrar que muitos deles cresceram ouvindo que ser homem é ser dominante, que precisa controlar, que não pode demonstrar sentimentos, que ciúme é prova de amor, que a mulher precisa obedecer. Isso é aprendido. E aquilo que é aprendido também pode ser desconstruído - reiterou.
E é por este motivo que o trabalho nas escolas se torna relevante, principalmente com os adolescentes, pois eles são naturalmente questionadores e terão mais facilidade em questionar comportamentos (antes que os mesmos se transformem em relacionamentos abusivos e, futuramente, em violência).
- A prevenção começa muito antes da ocorrência. Começa na educação, na conversa e na mudança de comportamento. O Agosto Lilás terminou, mas o trabalho continua. E nossa intenção é continuar levando informação, proteção e conscientização para a população, porque violência contra a mulher não é assunto particular. É responsabilidade de toda a sociedade, e nós queremos que cada mulher saiba que ela não está sozinha - concluiu Helen Malta.
Fotos: Isaias.Jr / Divulgação