24/08/2026
A história de Muqui é inseparável dos trilhos que cortam o centro da cidade e das figuras ilustres que moldaram sua política, economia e cultura ao longo das décadas. A chegada da Estrada de Ferro Leopoldina em 1902 funcionou como o verdadeiro motor de crescimento da antiga Vila de São João do Muqui. A ferrovia não apenas escoava a massiva produção de café das fazendas até os portos de Vitória e do Rio de Janeiro, mas também trazia materiais de construção nobres vindos da Europa — como ferro fundido, vidros coloridos e azulejos — que ornamentaram os palacetes da elite cafeeira. A linha férrea cortava diretamente o coração urbano da cidade, fazendo com que o comércio, as residências e a vida social se desenvolvessem em torno dos trilhos e da estação. Com o declínio do transporte ferroviário de passageiros no final do século XX, os trens deixaram de circular, mas todo o complexo teve seu valor reconhecido e preservado: em 1980, o conjunto urbano de Muqui, englobando a estação ferroviária, a malha de trilhos centrais e mais de 200 edif**ações históricas, foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo (CEC-ES), tornando-se o maior sítio histórico urbano do estado. Paralelamente, a construção dessa identidade contou com personagens marcantes, a começar pelos grandes produtores e barões do café de famílias pioneiras como os Dirceu, os Fraga e os Prado, responsáveis por encomendar as imponentes residências em estilos eclético, art déco e neocolonial que marcam a paisagem local. Na esfera pública, coronéis e lideranças políticas locais articularam a emancipação em relação a Cachoeiro de Itapemirim, alcançada em 1912 sob o governo de Jerônimo Monteiro. Por fim, a memória da cidade é continuamente viva graças aos mestres da cultura popular e lideranças das tradicionais Folias de Reis, que mantiveram acesa a celebração folclórica que hoje consolida Muqui como a Capital Capixaba dos Reisados.
Abaixo
Fazenda dos morros
Nivaldo Pacchiella Dos Santos Andrade