19/10/2021
Já olhou para o abismo da sua existência hoje?
Primeira experiência longa de escrita do autor, este romance é uma experimentação linguística e política voraz.
Escrito de um folego só em 2017, o autor deixou o tempo amadurecer seu trabalho: guardou o caderno manuscrito em uma caixa. Em 2019 encontrou-o por acaso, revisou e reescreveu boa parte da obra, mudando a perspectiva inicial, que era mais linguístico-poética, para uma desenvoltura mais discursivo-política, isto é:
"a obra que nasceu do meu acabrunhamento perante a imensidão cruel da realidade acabou por se desenvolver, durante o processo, em uma critica mais contundente e direta da realidade, em um grito subversivo mais contra o poder institucional e dogmas sociais que contra os dogmas e tradições artísticas, porque era o que tava pegando pra mim ali na época, no fim de 2019, quando reencontrei com o texto, ali já era outro Caminhamar, já tinha explorado a transgressão da língua em outros textos, já tinha tido outras vivencias políticas coletivas, e então a personagem que é o fio da meada das histórias que se entrecruzam na narrativa, Santiago, vai ser a representação carnal do ínfimo e do grito que é ser uma pessoa a se expressar para o cosmos, sozinha, apesar de conjuntada a outros seres. É ainda, minha primeira tentativa de fazer um relato de nossa época."
Afora a centralidade politica e histórica da obra, que o faz um bom livro pra entender a atualidade e se inspirar na luta pela transformação da História, o texto é interessante de se ler também por olhar o abismo de frente e pela imensa quantidade de neologismos e referências diretas, principalmente musicais e poéticas, na prosa corrida, que inauguram a linguagem frenética e filosóf**a de Aureliano Caminhamar.