25/02/2021
"Não realizei sonho nenhum, nunca tive casa própria, carro, nada. Só comi e vivi. Com os 997 reais que ganho, não tem como fazer financiamento.
Na pandemia trabalhei todos os dias. Aliás, nunca faltei! Aqui não mudou muito, não, até diminuiu. É um cemitério de classe média, né? Podem se cuidar...
Uma pessoa dessa região pode f**ar em casa. A da Vila Formosa f**a como? Vai passar fome?
" “Ah, o governo deu 600 reais” "
Quem vive com 600 reais? O pobre pega o vírus e morre! Aqui ninguém pegou. Ainda bem, né? Fora isso, só falta o governo olhar o salário. O meu holerite é a mesma coisa há 15 anos. Nosso salário é uma vergonha!
Tem família aqui que gasta 30 mil num sepultamento, 50 mil. O mundo é assim, uns têm muito e outros têm pouco...
Vizinho meu passa fome. Agora o vereador ganha 30 mil reais, tem auxílio disso, daquilo, e eu não tenho nada. E se quebra a previdência, a culpa é nossa!
Se tive medo? Nenhum. Na TV falam que, quem trabalha em serviço essencial, tem que arrumar lugar pra f**ar. A gente “malemá” paga as contas. Fácil falar, quero ver viver nossa vida..."
Reginaldo de Oliveira, sepultador, 50 anos
Esta é uma das 100 histórias de pessoas invisíveis em nosso livro A PANDEMIA QUE NINGUÉM VÊ. Conheça as outras histórias em:
https://www.spinvisivel.org/apandemiaqueniguemve ❤