28/09/2026
A proibição das apostas online, assinada na sexta-feira (25), nove dias antes do 1º turno, era urgente desde 2024, quando os dados sobre endividamento e vício já eram públicos e o próprio governo regulamentou, tributou e lucrou com o setor. O mérito da medida é real, mas o momento escolhido o mancha: a discussão deveria acontecer no campo da saúde pública e da economia doméstica, onde o vício impacta mais, e não virar peça de campanha eleitoral.
Em dezembro de 2018, o governo Michel Temer sancionou a lei que autorizava a exploração de apostas de quota fixa no Brasil, as plataformas que ficariam conhecidas como “bets”. Na época, a medida passou quase despercebida. Sete anos depois, a caixa de Pandora que foi aberta virou um problema de saúde pública: famílias endividadas, jovens em depressão e um custo social que chegou a quase seis vezes o imposto arrecadado.
Na noite de sexta-feira (25), o presidente Lula assinou a Medida Provisória 1.394/26, que devolve as apostas online à ilegalidade. A decisão encerra o ciclo aberto por Temer e regulamentado em 2023. Correta no conteúdo, a medida levanta, porém, uma pergunta incômoda sobre o calendário.
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