19/01/2026
2016: o ano em que me desviei — poema/Testemunho
Há dez anos,
foi o ano em que me perdi.
O ano dos dezoito.
O ano em que o mundo me chamou pelo nome.
O ano do primeiro trabalho.
O ano em que, tulipada,
eu me vesti de soberba
e acreditei ser grande demais
para a igreja onde congregava.
Tola.
Eu buscava lugar.
Eu buscava voz.
Eu buscava ser vista.
Na Universidade, eu me desfazia em silêncio.
Tímida.
Quase inexistente.
Em cada apresentação, o corpo tremia,
o choro me traía,
e nos cantos frios da Uni
eu perguntava a mim mesma, em sussurro:
o que eu estou fazendo aqui?
Disse a mim mesma que havia encontrado um lar.
Disse a mim mesma que havia encontrado pessoas.
“Achei meu grupo.
Agora tenho amigas.”
iludida!
Eliezer era o incômodo.
A voz que me feria porque dizia a verdade.
A voz que insistia em me lembrar
de quem eu estava deixando de ser. Eu estava desviada.
“Eu?” — eu respondia ao meu próprio reflexo —
“Logo eu, que amo tulipas? Jamais.”
E seguia, adornada de certezas tortas,
presa a uma cosmovisão quebrada,
bonita por fora,
vazia por dentro.
Entre açoites e pancadas do céus, em meio evangelismo na rua, ao rebanho de Deus eu voltava.