07/03/2023
GRANDE IMPRENSA BRASILEIRA E O ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES: VINÍCOLAS DA SERRA GAÚCHA
Marcos Roque*
“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” Quando Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista, criou e proferiu esta célebre frase, em 1933, ele não imaginava que para a grande imprensa do terceiro milênio bastaria tão somente uma única narrativa disseminada por alguns jornalistas descompromissados com a verdade para que a mentira se materializasse no imaginário coletivo, a ponto de fazer com que respeitáveis e centenárias pessoas jurídicas brasileiras pudessem se transformar, da noite para o dia, em algozes escravagistas foras da lei.
Pelo menos três grandes vinícolas da Serra Gaúcha – Aurora, Garibaldi e Salton – têm sido dura e covardemente atacadas por denúncias caluniosas disseminadas desde meados de fevereiro por grandes veículos de comunicação e também jornalistas irresponsáveis que não prezam pela apuração, muito menos pela ética profissional, e promovem fake news sem se importarem que por trás dessas sérias cooperativas há milhares de pequenos produtores que, além de impulsionarem a economia brasileira, sustentam suas famílias e a de sem-número de outras famílias prestadoras de serviços que buscam ganho extra quando da colheita da uva.
Importante ressaltar que a época da colheita da uva para a população da Serra Gaúcha se configura num momento festivo, etéreo e solene, em que todos rendem homenagens à terra e colhem o fruto que foi, por longo tempo e com todo o carinho, cultivado. Para tanto, os colonos, na sua grande maioria italianos e/ou descendentes, buscam mão de obra onerosa para, sem nenhuma distinção e/ou segregação, com o oferecimento do melhor alimento nos momentos de refeição, colherem a uva que se transformará em suco ou em vinho.
Nessa época, a cada ano, são contratados trabalhadores de todas as partes do Brasil que aguardam ansiosamente por esse momento de ganhos financeiros. E todos – produtores e trabalhadores temporários – comungam da mesma alegria da colheita do fruto que será encaminhado para as cooperativas vinícolas, as quais processarão o produto e darão a ele o destino, tanto para o mercado interno quanto para o externo. Tudo na mais absoluta transparência, com lisura, profissionalismo, pagamento de tributos e tudo o mais conforme as políticas de compliance seguidas rigorosamente por organizações empresárias de renomado reconhecimento mundial.
Tais vinícolas execradas publicamente nos últimos dias, além de respeitadas mundialmente, prezam pela ética, em especial pelo cumprimento das leis trabalhistas, e jamais compactuam e/ou compactuariam com atos violadores dos direitos fundamentais constantes da Constituição Federal de 1988.
De enorme importância que se entenda que tais cooperativas vinícolas, nessa época de colheita da uva, recebem mão de obra temporária contratada por empresas externas, o que é legalmente previsto em lei. E tal mão de obra é dirigida exclusivamente para o descarregamento das uvas dos produtores, as quais chegam em caminhões, e toda essa jornada de trabalho, que é de 8 horas com uma hora de repouso e alimentação, é acompanhada ainda por câmeras de segurança.
Ao fim de cada jornada e/ou turno, os trabalhadores são recolhidos pela empresa terceirizada, que os conduz em transporte próprio a aposentos também de sua propriedade, os quais não são pertencentes a nenhuma das vinícolas mencionadas. E esse processo de início e fim de turno, feito pela terceirizada, se repete até o último dia de prestação de serviços.
No caso em tela, uma das empresas que terceirizam a mão de obra sazonal para o descarregamento da uva, entre outras atividades em diferentes setores não ligados à cultura vinífera, é a Oliveira & Santana Prestadora de Serviços Ltda., a qual pertence ao empresário baiano Pedro Augusto Oliveira de Santana.
Importante destacar ainda que tal empresa foi a responsável pela contratação dos 207 trabalhadores encontrados por autoridades em 22 de fevereiro num alojamento insalubre em situação análoga à escravidão na cidade de Bento Gonçalves/RS, não havendo absolutamente nada que possa envolver nenhuma das cooperativas vinícolas covardemente mencionadas na série de reportagens espalhadas pela grande imprensa desinformadora que, aliada a interesses obscuros de grupos desconhecidos, comete um terrível assassinato de reputações no mais rasteiro e inconsequente gesto de covardia contra milhares de famílias dignas que trabalham
diariamente e repudiam qualquer ato de violação a direitos humanos.
Há que ser restabelecida a verdade, antes que mais inocentes, entre as quais as próprias cooperativas vinícolas, sejam massacrados pela desinformação criminosa que tem se instalado no Brasil dos últimos tempos com intuitos sabidamente nocivos, porém, estranhos a qualquer mente sadia, que não consegue entender a quem esse assassinato de reputações interessa.
A região Sul do Brasil, com um povo mestiço forte e trabalhador, notoriamente possui invejável histórico de sucesso para o desenvolvimento econômico do país. Portanto, a quem seria vantajoso proliferar difamações?
Na busca por essa e outras respostas plausíveis, os organismos competentes, entre os quais o próprio Governo Federal, devem investigar com afinco e brevidade todas as denúncias caluniosas contra as cooperativas citadas para que seja restabelecida a verdade diante da população nacional e também do mercado internacional. E em havendo violação a direitos trabalhistas e a direitos humanos, que sejam sancionados os verdadeiros responsáveis, neste ato incluídos os irresponsáveis veículos de comunicação disseminadores de inverdades.
Não se pode permitir que em pleno século XXI, com todo o aparato favorável da tecnologia à população, mentiras contadas possam se transformar em verdades. Felizmente, o Terceiro Reich, bem como suas técnicas deploráveis, nocivas e criminosas foram defenestrados da face da Terra para todo o sempre.
* Marcos Roque é advogado e jornalista
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