14/04/2026
A pior saudade não é a que grita, é a que você aprende a calar. A pior saudade é aquela que você sente, mas sabe que não pode ir atrás. Você acorda com o nome na garganta e engole junto com o café. Passa o dia inteiro traduzindo vontade em maturidade. Porque não é orgulho, é consciência. Você já sabe como termina, já conhece a porta que não abre por dentro, já decorou o silêncio do outro lado. E mesmo assim o peito insiste, manda mensagem que você não envia, escreve texto que apaga, ensaia reencontro que nunca acontece. Não é falta de coragem, é respeito pela própria história. Você entendeu que voltar não é retomar, é repetir. E tem saudade que não pede presença, pede aceitação. Você não sente falta da pessoa, sente falta de quem você era quando acreditava. E quando percebe isso, a saudade muda de endereço. Para de morar no outro e começa a morar em você, quieta, sem pedir para ir atrás.
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