30/04/2026
Essa sou eu, entre 6 e 8 anos. Nas pernas, botas ortopédicas marcadas por uma batalha contra a poliomielite. Por fora, limitações visíveis. Por dentro, uma criança tentando entender por que era tratada como diferente.
Por muitos anos, o bullying veio de todos os lados — na escola e, às vezes, até de quem deveria proteger. E, sem perceber, fui me escondendo. A timidez não era minha essência, era meu escudo. Eu pensava: “Se eu não me aproximar, não vão me ferir.” Era a forma que encontrei para sobreviver.
Mas o tempo me ensinou algo que ninguém me disse naquela época: dores físicas e emocionais não têm o poder de definir quem somos — a menos que a gente permita. As palavras que lançaram sobre mim não eram identidade, eram projeções. E eu não precisava carregá-las como verdade.
Hoje, eu carrego marcas. Muitas. Algumas ainda doem, outras já cicatrizaram. Mas todas elas ganharam um novo propósito: não são mais sinais de fraqueza, são instrumentos de cura. Porque quem já foi profundamente ferido aprende a reconhecer a dor no outro — e, com isso, pode alcançar, acolher e levantar.
Eu não sou o que vivi. Eu sou o que escolhi me tornar depois de tudo isso.
E se existe algo que minha história prova, é que aquilo que tentaram usar para me diminuir, Deus transformou em ponte para alcançar vidas.