12/08/2026
Criei na mente um lugar de dor:
ora em chamas, ora em escuridão;
um mundo alimentado pelo rancor,
pela raiva, pelo orgulho e pela ilusão.
Para lá mandei, sem sequer pensar,
amigos, vizinhos, parentes e irmãos;
até companheiros da fé fiz condenar,
julgando vidas com minhas próprias mãos.
Uns, pela raiva de um breve momento;
outros, por alguma decepção;
alguns, simplesmente, pelo pensamento
de enxergarem o mundo em outra direção.
Hoje, a muitos eu estenderia a mão,
mas naquele dia, tomado de ira e desdém,
julguei sem conhecer o coração,
por coisas tão pequenas, sem valor algum também.
Condenei pessoas por serem quem são,
pelo modo de falar, vestir ou agir diferente;
eu me julgava santo, dono da razão,
cego pelo orgulho, soberbo e prepotente.
E também caí no fogo que criei,
pelos erros e pecados que cometi;
mas quando, em lágrimas, a Deus clamei,
Ele me acolheu e teve misericórdia de mim.
Meus pecados encontraram perdão,
diferente da sentença que tantas vezes dei:
eu julgava sem piedade, sem compaixão,
mas Deus me perdoou quando eu clamei.
Hoje reconheço a minha ignorância
e questiono os julgamentos que inventei;
dou graças a Deus, com toda confiança,
pelo livramento que, em Sua graça, alcancei.
Senhor, guarda-me das loucuras da mente,
das palavras que ferem e da falsa razão;
livra-me de ser juiz tão impaciente
e ensina-me a enxergar com os olhos do coração.
Que eu não faça o mal que às vezes pretendo,
nem condene quem precisa de perdão;
que eu aprenda, pouco a pouco, compreendendo
que o verdadeiro amor não conhece condenação.
Pois talvez o inferno que eu criei
nunca tenha existido em outro lugar:
era apenas o mundo que dentro de mim formei,
quando me esqueci de amar, perdoar e recomeçar.
E hoje, de joelhos, uma verdade eu sei:
quem recebe misericórdia também deve perdoar.
Se Deus não me condenou quando eu errei,
quem sou eu para alguém sentenciar?
Senhor, destrói o inferno que criei
e faz nascer em mim um coração diferente.
Que eu nunca mais julgue como um dia julguei,
mas ame como Tu amas —
com misericórdia, verdade e amor para todas as pessoas.
Autor; Gesuel P Da Rocha