26/12/2025
Inspirada, uma poetisa escreveu:
De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.
Nesses curtos versos, ela retrata o sentimento de impotência quando nos falta a sensibilidade de transcender o cotidiano. É quando vemos tudo com os tons e o perfume da aridez.
Observamos algo, queremos dar-lhe cores líricas, mas nos falta o sentimento, pois o desencanto tomou de assalto nosso coração.
Outro poeta que, certamente, deve ter sentido algo semelhante escreveu:
No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.
Tinha uma pedra. No meio do caminho tinha uma pedra.
A simbologia da pedra tem sido usada com variados propósitos na filosofia, na prosa e na poesia, desde tempos imemoriais.
Ela retrata a imutabilidade das coisas, os obstáculos e sentimentos arraigados. Por isso usamos expressões como: coração de pedra, sentimento pétreo.
Jesus, dirigindo-se aos apóstolos, disse: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.
O que seriam essas aflições senão as pedras do caminho e o bom ânimo a maneira de as enfrentarmos?
Ao se deparar com pedras, cada qual delas se serve de maneira peculiar.
O engenheiro delas se serve para construir casas, estradas, pontes, aquedutos.
O arquiteto as emprega em belas curvas.
O lavrador as recolhe a um canto para que não comprometam os seus instrumentos de corte.
O jardineiro demarca canteiros de flores.
O escultor lhes liberta a alma, desnudando-lhes a beleza.
O pescador faz diques para conter as águas das marés.
O guerreiro as usa como arma.
O preconceituoso ergue muros para se isolar dos seus irmãos.
O colérico as atira no irmão de caminhada.
O preguiçoso desvia-se delas. E da oportunidade de servir.
O egoísta delas se apodera, imaginando usos exclusivistas.
O vaidoso, para ficar em evidência.
* * *
E as pedras da nossa existência, que fazemos com elas?
Servindo-nos dos versos da poetisa, em leve ajuste, consideremos que, quando perdemos a fé, olhamos pedra, vemos somente pedra, que nos parece inamovível.
No entanto, o Mestre galileu nos afirmou que bastaria a fé do tamanho de um grão de mostarda para mover uma montanha.
O segredo para superar as dificuldades, por mais intransponíveis que pareçam, reside na força inabalável da fé.
Ela atua como uma luz em meio à escuridão, permitindo-nos enxergar além do problema imediato.
Com ela, transformamos o medo em coragem e a incerteza em convicção.
Ela nos permite absorver os golpes, mantendo o espírito firme e a esperança viva. Ela nos impulsiona a dar o primeiro passo, confiantes de que a solução se manifestará.
Serve como alicerce moral, fortalecendo a vontade e a determinação de não desistir, por maiores sejam os óbices.
Ela nos recomenda paciência, aguardando o tempo certo com a certeza de que a vitória virá.
Transponhamos, portanto, as pedras das adversidades e alcançaremos a superação plena ...