11/04/2021
CASO MATSUNAGA
O casal se conheceu em 2004, através de um site de relacionamentos, o qual Elize utilizava para se oferecer como pr******ta. Marcos, era casado, mas manteve relacionamento extraconjugal com Elize durante três anos, até que decidiu se divorciar para casar com a moça, em 2009.
Discussões entre o casal vinham acontecendo desde alguns anos antes do crime 2012, sempre por motivos passionais. Elize acreditava estar sendo traída e confirmou o fato ao contratar um detetive particular para seguir Marcos Kitano. A descoberta da traição, segundo a própria assassina confessa, teria sido a motivação para o crime. Abaixo, a sequência de fatos que antecederam o homicídio:
Início de maio de 2012: Elize procura um advogado para discutir sobre um possível divórcio. A mulher desejava saber com o que f**aria caso se separasse de Marcos e que direitos lhe eram reservados.
Na semana de 13 de maio de 2012: Elize contrata um detetive particular para seguir Marcos.
17 de maio de 2012: Elize viaja para a sua cidade natal, Chopinzinho, no interior do Paraná, para visitar sua mãe e apresentá-la a neta, filha do casal Matsunaga. À noite, Elize recebe informações do detetive particular, que confirmara a traição. Ele a manda imagens em que Marcos se encontra com uma pr******ta no centro de São Paulo.
18 de maio de 2012: Ainda em Chopinzinho, a mulher recebe mais informações do detetive, Marcos jantara com a mulher com quem foi filmado no dia anterior.
19 de maio de 2012: Marcos Kitano busca Elize no aeroporto, a partir daí, começam os eventos registrados pelas câmeras de segurança do prédio onde a família morava.
Assasinato
Marcos Kitano desce para buscar uma pizza
A sequência de fatos a seguir foi registrada por câmeras de segurança do prédio onde o casal vivia nos dias 19 e 20 de maio de 2012. Elas foram fundamentais para que o crime fosse desvendado e permitiram acompanhar os últimos momentos de Marcos Kitano vivo:
Às 18h30min do dia 19 de maio de 2012: Marcos, Elize, a filha do casal e uma babá sobem de elevador até a cobertura onde o casal vivia. Eles acabavam de chegar do aeroporto, de uma visita que Elize fez à cidade de Chopinzinho.
Às 19h40min do dia 19 de maio de 2012: a babá deixa o apartamento, nele agora estão ap***s o casal e a filha de um ano. Segundo o depoimento de Elize à Polícia, foi nesse momento que iniciou-se uma discussão entre ambos, quando ela revela que descobrira a traição.
Às 19h30min do dia 19 de maio de 2012: Marcos desce pelo elevador até o térreo para buscar uma pizza. Ele está aparentemente tranquilo e falando ao celular com seu pai. Essas foram as últimas imagens de Kitano vivo.
Depois das 19h30min do dia 19 de maio de 2012: segundo Elize, depois de Kitano voltar, o casal retomou a discussão. Marcos a teria ameaçado dizendo: "vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio". Afirmou também que se ele pedisse o divórcio, a filha do casal f**aria com ele, alegando que a guarda não seria dada a uma "pr******ta".
Entre as 19h30min do dia 19 de maio de 2012 até as 11h30min do dia 20 de maio de 2012: Elize assassina Marcos Kitano com um tiro na cabeça a queima-roupa de cima para baixoe esquarteja seu corpo em seis partes; cabeça, braços, tórax e pernas. Depois disso os coloca em s**os plásticos que vão dentro de uma mala preta.
Às 11h30min do dia 20 de maio de 2012: Elize deixa o apartamento carregando as três malas onde estava o corpo de Marcos Kitano.
Ocultação
O corpo de Marcos Kitano foi jogado na beira de uma rodovia em Cotia, próximo a São Paulo, no mesmo dia do crime, 20 de maio de 2012. As primeiras notícias sobre a descoberta do corpo vieram em 23 de maio de 2012 e a partir de 4 de junho de 2012, portanto 15 dias após o crime, quando se deu a identif**ação do corpo, o caso começou a ter destaque na imprensa brasileira, que dava notícias sobre a evolução das investigações sob os títulos de "caso Yoki", o mais usado, e "caso Marcos Kitano".
23 de maio de 2012: são descobertos os restos mortais de um "homem asiático" na beira de uma estrada em Cotia. A primeira grande rede de televisão a noticiar o fato foi a Rede Bandeirantes, destacando o caso como um "crime macabro".
1 de junho de 2012: políciais militares da região começam a ser investigados pelo Departamento do Homicídios e Proteção à Pessoa como suspeitos do crime. Nesse momento, ainda não havia a informação de que o corpo era de Marcos Kitano.
4 de junho de 2012: o corpo é identif**ado como sendo de Marcos Kitano, dado como desaparecido desde o dia do crime.À noite, depois de análises das imagens das câmeras de segurança do prédio em que morava o CEO, deu-se como suspeita Elize Matsunaga, sendo detida sob prisão temporária de cinco dias (posteriormente estendida como prisão preventiva). A informação foi divulgada por Jorge Carrasco, diretor do DHPP. Tal prisão foi motivada pelo fato de Marcos entrar no apartamento, porém não sair e de Elize deixar o prédio com três malas. A partir desse dia, o caso começou a ter ampla cobertura da mídia. O DHPP ainda trabalhava com a hipótese de o CEO ter sido assassinado por policiais militares, as investigações avançavam em sigilo.Elize ficou detida na 97ª DP.
“Nem sei se ele tinha segurança e não sei se estes seguranças dele eram policiais militares. O que posso dizer é que estamos investigando todas as possibilidades. Uma delas é a de crime passional.”
5 de junho de 2012: o advogado da família do empresário, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirma acreditar que o crime foi praticado por mais de uma pessoa, ele disse: "é pouco provável que uma única pessoa tenha realizado todo a preparação, execução, o homicídio, o esquartejamento e a manutenção dos pedaços". O delegado responsável pelo caso, Mauro Dias, diz que a polícia agora foca-se na hipótese de crime passional. Segundo ele, existiam evidências de uma traição por parte do empresário. No apartamento do casal, a polícia encontra s**os plásticos iguais aos que estavam o corpo de Marcos, também é encontrada uma grande quantidade de armas, sendo uma do mesmo calibre que matou o empresário, uma calibre .380. Elize é transferida da 97ª DP até a cadeia de Itapevi, na grande São Paulo.
“Me parece que a vítima era colecionador. Ela entregou algumas armas na Guarda Civil Metropolitana para destruir essas armas e uma das armas é o calibre do tiro que a vítima levou.
DEPOIMENTO DE ELIZE
6 de junho de 2012: Elize presta depoimento ao DHPP e confessa o crime. A mulher, que até então, tinha negado qualquer envolvimento com o assassinato, deu detalhes de como cometeu o crime. Apesar de não ter citado nenhuma outra pessoa, a polícia ainda suspeitava da participação de alguém para ajudá-la a esquartejar e abandonar o corpo. Elize contou à polícia que o assassinato ocorreu depois de uma briga que ambos tiveram causada por uma traição de Marcos. Ela disse que atirou na cabeça do marido e deixou o seu corpo num quarto da casa por dez horas para, então, esquartejá-lo quando já estivesse em situação cadavérica e portanto, com o sangue coagulado. Ela disse que o levou para o banheiro da empregada, cortou os membros inferiores, superiores e o decapitou com uma faca de 30cm que estava na cozinha.A polícia encontrou as provas da traição de Marcos, fotos e vídeos que o detetive contratado por Elize tinha feito.Começou a ser feita, no final da noite, a reconstituição do crime para comprovar a versão de Elize.
7 de junho de 2012: peritos concluem a reconstituição do crime e confirmam a versão de Elize sobre como matou o CEO e o esquartejou. A reconstituição foi acompanhada pela mulher e durou aproximadamente seis horas.A Secretaria de Segurança Pública solicitou a prorrogação da prisão temporária de Elize.Após ouvir o depoimento da babá que foi ao apartamento quando o empresário já estava morto, o delegado responsável pelo caso afirmou que o caso estava "praticamente encerrado".
“O depoimento da babá não acrescentou praticamente nada. Ela não teve nenhum envolvimento com o ocorrido.”
8 de junho de 2012: a filha do casal f**a sob a guarda de uma tia de Elize. A família de Marcos Kitano diz que não pretende entrar na justiça para disputar a guarda da filha do casal, que à época, tinha ap***s um ano de idade.A Polícia Rodoviária Federal disse ter parado Elize na rodovia SP-127 e a multado por estar com o licenciamento do veículo vencido há quase um mês. Segundo a PRF, o carro não foi revistado porque tratava-se de uma abordagem administrativa. O Jornal Nacional noticiou que Elize seguia rumo ao estado do Paraná, mas que desistiu da viagem após ser abordada e voltou em direção a São Paulo, deixando o corpo do empresário numa estrada em Cotia. A defesa de Elize disse que o crime não foi premeditado e que a mulher temia perder a guarda da filha. O advogado de Elize, Luciano de Freitas, disse que considera a prisão de Elize até o julgamento desnecessária, ele disse: "se ela quisesse ter fugido, ela teria fugido nesses quinze dias"
JULGAMENTO
JAMAIS FIZ POR CRUELDADE '
Elize contou que atirou após ouvir o marido dizer que ela perderia a guarda da filha. “Quando ele [Marcos] falou que..., ele falou que ia me internar. Quando ele falou que eu não ia mais ver minha filha (...) Eu não aguentei.”
“Eu tava [sic] com medo dele”, falou Elize, que conheceu Marcos na época em que também foi garota de programa. Depois do crime, ela colocou os pedaços do corpo em s**os e malas e os espalhou em Cotia, na Grande São Paulo e na capital. À época, mentiu sobre o sumiço do marido, dizendo que ele tinha fugido com uma amante. Só confessou o crime dias depois à polícia. Em seguida foi presa
“Eu queria falar que eu não queria matar o Marcos. Jamais fiz com crueldade. E se isso... se eu tiver mentido, que Deus me castigue da pior forma possível”, falou Elize, que juntamente com sua defesa, conseguiu convencer a maioria dos jurados de que não matou o executivo com crueldade e por motivo torpe, como acusava a promotoria.
Para a promotoria, Elize cortou Marcos - começando pelo pescoço - quando ele ainda estava vivo. Já a defesa da viúva, feita pelos advogados Rosello Soglio e Luciano e Juliana Santoro, sustenta que a vítima já estava morta quando foi esquartejada.
Elize falou que começou a esquartejar Marcos pelos joelhos e, por último, cortou o pescoço. “Infelizmente a única forma que eu encontrei foi cortá-lo. Infelizmente”, disse ela, que relatou ter f**ado com medo de ser presa e f**ar longe da filha.
Ela alegou ter esquartejado o marido para se livrar do corpo e não ser presa já que estava preocupada com a filha. “A minha filha tava [sic] sozinha em casa. Podia ser que levassem ela pra algum abrigo, eu não sei”.
Durante o julgamento, Elize ficou sentada ao lado dos advogados, onde permaneceu cabisbaixa a maior parte do tempo. Ali, ela ouviu os depoimentos das 16 testemunhas, tanto da defesa quanto da acusação.
O julgamento teve início no dia 28 de novembro e terminou na madrugada do dia 5 de dezembro. O júri popular a condenou por homicídio qualif**ado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima e destruição e ocultação de cadáver.
“[Estou] muito [arrependida]. Infelizmente eu não posso voltar no tempo. Mas se eu pudesse, eu voltaria”, disse Elize ao responder uma pergunta de sua defesa. Atualmente ela cumpre a pena em Tremembé, interior de São Paulo.
Sentença
O julgamento durou sete dias e foi um dos mais longos da Justiça de São Paulo. O júri foi formado por quatro mulheres e três homens. Eles f**aram reunidos por mais de 2h30 para definir o julgamento. O juiz Adilson Paukoski deu a sentença às 2h07
Elize ouviu a sentença já vestida com camiseta branca, calça caqui e chinelo de dedos com as mãos para trás. O juiz não permitiu que se fizesse imagens dela.
Ela foi condenada a 18 anos e 9 meses por homicídio sem chances de defesa da vítima, e mais 1 ano, dois meses e 1 dia por destruição e ocultação de cadáver. Os jurados não consideraram as qualif**adoras "motivo torpe" (por vingança e dinheiro) e "meio cruel" (que a vítima ainda estaria viva quando foi esquartejada), pedidas pela promotoria. Elize já cumpriu 4 anos e meio de prisão antes do julgamento.
Júri
Os jurados tiveram de responder às seguintes questões:
Marcos Matsunaga morreu e foi esquartejado no apartamento do casal na noite de 19 de maio de 2012?
Elize matou Marcos Matsunaga?
O júri absolve a ré pela acusação de homícidio?
Ela cometeu o crime sob violenta emoção?
Ela matou por motivo torpe porque queria se vingar do marido e buscava o seguro de vida dele e o dinheiro?
Ela deu chances de defesa para Marcos?
A acusada agiu por meio cruel e a vítima estava viva quando foi esquartejada?
O corpo da vítima foi destruído e ocultado?
Foi Elize quem ocultou o cadáver?
O júri absolve a ré pela acusação de ocultar e destruir o cadáver?
SEMI ABERTO
Elize está presa desde junho de 2012 na penitenciária feminina Santa Maria Eufrázia Pelletier, que abriga outras presas de casos de grande repercussão - como Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais; e Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabela Nardoni. As duas já cumprem pena no semiaberto.
No regime mais brando, Elize pode trabalhar e estudar fora da unidade, com retorno à noite. Além disso, ela passa a ter direito às saidinhas
AVALIAÇÃO
Na decisão, a magistrada apontou que Elize poderia ir ao semiaberto porque preencheu os requisitos legais exigidos por lei, entre os quais comprovação de lapso temporal de permanência necessária no regime fechado - 2/5 da pena -, por boa conduta carcerária e pelo parecer favorável da promotoria.
Da condenação, a defesa da detenta disse ainda que ela abateu 460 dias de prisão por meio de estudo ou trabalho de costura que executa dentro da unidade.
"Ressalto que foi realizado exame criminológico, cujo resultado afigura-se totalmente positivo para os fins pretendidos, sendo o que se pode inferir do teor do laudo técnico apresentado, através do qual a unanimidade dos integrantes da Comissão de Avaliação atestaram a aptidão da detenta para o gozo do regime intermediário de cumprimento de pena", disse em trecho da decisão.
DEFESA DE ELIZE
"A Justiça reconheceu que Elize Matsunaga vem cumprindo de forma adequada, sempre trabalhando dentro da penitenciária e cumprindo fielmente os deveres do preso. Por isso, foi deferida a progressão para o regime semiaberto após a realização do criminológico que lhe foi completamente favorável",