06/09/2026
Presidente da Colômbia gera polêmica ao expor corpos após operação contra grupo armado
Abelardo de la Espriella publicou vídeo ao lado de sacos mortuários e disse que operação matou 23; críticos apontam violação de direitos e risco de espetacularização da violência
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, provocou forte reação política ao publicar nesta sexta-feira (4) um vídeo em que aparece ao lado de sacos mortuários enfileirados no chão.
Segundo o governo, as imagens são da operação “Centinela de la Patria”, realizada por agentes da Polícia Nacional, que teria resultado na morte de 23 pessoas e na prisão de outras seis, entre elas um líder conhecido como “Tigre” e “Bendito Mentor”, apontado como um dos criminosos mais perigosos do país. O governo informou ainda que uma criança recrutada foi retirada do grupo e entregue ao órgão de proteção infantil.
No post feito na rede X, De La Espriella comemorou o resultado e afirmou: “ou se submetem à justiça ou enfrentarão toda a força legítima do Estado”.
A publicação dividiu o país. Apoiadores do presidente, ligados ao partido Defensores da Pátria, defenderam as imagens como um ato de dissuasão estratégica e apoio às forças de segurança.
Já a oposição criticou duramente. O senador Iván Cepeda, do Pacto Histórico, afirmou: “Ele caminha entre os sacos para cadáveres. Praticamente pisa neles com desprezo”.
Especialistas em direito internacional alertam que a exibição pública de cadáveres viola princípios do Direito Internacional Humanitário, que proíbem o tratamento degradante e o uso da dignidade dos mortos para fins de propaganda.
Analistas também lembram que na Colômbia esse tipo de exposição tem peso histórico, após o escândalo dos chamados “falsos positivos”, em que milhares de civis foram apresentados como combatentes mortos para medir resultados das forças armadas.