22/08/2021
Eu saí da minha primeira equipe de Muay Thai 3 anos depois de iniciar nessa modalidade. Os motivos porque eu saí contarei em um próximo post.
Mas eu precisava fazer uma escolha muito importante que iria determinar o rumo da minha vida dali pra frente.. me tornar um lutador profissional e fazer da luta o meu trabalho em tempo integral, ou manter a luta como um hobby apenas pelo prazer de praticá-la..
Qual foi A minha escolha?
Vocês ja sabem a essa altura qual foi a minha escolha.. E a maneira como eu deveria me envolver com a luta daqui pra frente me obrigou a sair de baixo das asas do meu primeiro professor e procurar novos caminhos..
O Curioso é que junto comigo saiu outro amigo que estava insatisfeito.
Meu companheiro de treino Alexandre Marciano. Ele ja era formado em Educação física, praticante de Jiu-jítsu e treinava Muaythai com gente. Marciano foi o primeiro atleta a lutar MMA profissionalmente pela nossa primeira equipe. Quando saímos ele tinha 4 lutas de MMA profissional no Currículo.
Por uma infelicidade logo depois Alexandre sofreu um acidente de moto e fraturou a perna na altura do tornozelo. ele precisou ficar um bom tempo sem treinar.
Um dia eu fui visita-lo em casa e antes de ir embora eu perguntei, o que vamos fazer agora? Sem equipe, sem parceiros de treino, sem lugar pra treinar?
Então ele disse, olha eu não estou podendo treinar mas posso ir lá te acompanhar nos teus treinos, marcar o tempo, segurar uma manopla.. sei lá. Mas parado você não vai ficar.
Então Beleza, vamos Nessa.
Legal! eu ja tinha um amigo pra me ajudar a treinar , agora precisava achar um local pra isso. E Perto do bairro onde eu morava tem a academia chamada ritmo da forma, Eu fui falar com o Dono que ja ela um conhecido meu e ele disse, pode treinar aqui Vitor, eu tenho uma sala com tatame e um s**o de pancada que está desativada mas você pode treinar ai..
Então recomecei meu treinamento lá. Eu, Alexandre, E um s**o de pancada azul feito de lona naval.. Esse azulão foi meu companheiro por muito e muito tempo, 5 anos para ser mais exato..
Dia a após dia, s**o, manopla, técnica que o alexandre me ajudava a fazer com a bengala dele que ele usava pra subir as escadas com a perna quebrada.
De vez enquanto passava para nos visitar uma amigo que treinava na antiga equipe, então eu aproveitava para fazer Sparring ou uma movimentação..
Aos poucos eu comecei a dar aula no mesmo local e conseguia puxar uns alunos pra me ajudar..
E foi nesse pequeno espaço, com um s**o azul, alguns alunos novos e companheiros de treinos mais leves, que eu aprendi e evolui muito..
O Espaço do tatame não era grande e não tinha equipamentos avançados.
E com isso eu aprendi que tudo o que eu precisava era de um s**o de pancada. Esse equipamento é o melhor custo benefício que eu poderia ter na carreira.. Com um pouco de criatividade e a planílha de treino do alexandre eu me tornei o melhor peso pesado do Brasil entre 2004 e 2009.
Os meus parceiros de treino era mais leves ou ainda não tinham experiência
Então com um atleta mais leve eu aprendi a ser mais rápido, mais técnico e ter mais volume de jogo.. Com atletas em um nível menor que o meu eu aprendi a ser mais estratégico, aprendi a treinar e tirar o melhor de cada treino de acordo com cada situação.
Desenvolvi um gancho na linha de cintura de tirar o fôlego.. consegui alguns nocautes na carreira com esse gancho de esquerda porque mesmo quando o treino era mais forte, a minha dupla era mais leve. e pra não bater no rosto e comprometer o meu colega que diferente de mim, no outro dia tinha que estar inteiro para o trabalho no escritório ,então eu atacava a linha de cintura. E acabei ficando bom nesse golpe.
A modo de comparação, na minha equipe antiga eu havia feito 10 lutas e vencido apenas uma por nocaute. No meu novo sistema de treinamento desenvolvido pelo Alexandre e por mim, as próximas 10 lutas, eu venci 9 por nocaute e pegando adversários cada vez melhores..
uma evolução absurda Com um Treinardor inteligente e sangue nos olhos, com um s**o de pancada Azul e meia dúzia de bons companheiros eu solidifiquei a minha base e o meu estilo de luta.
Bons companheiros que não poderia comparecer todos os dias para treinar. Um morava em outra cidade, outro trabalhava em tempo integral. outro estudava e outro era preguiçoso.
E a gente conseguiu.. . Luta após luta, nocaute após nocaute, eu comecei a receber convites de eventos cada vez maiores Até lutar no K-1 entre os melhores do mundo..
Eu sou grato por esse momento da minha vida.. justamente Não ter a estrutura ideal e não ter uma equipe de 50 lutadores ao meu dispor, me ensinou a ser humilde , ter a mente sempre aberta e transformar uma deficiência, no meu ponto mais forte.
Por isso deixe as desculpas de lado e transforme os obstáculos em escadas para subir.