09/12/2015
[TEXTO PUBLICADO NO Mesa de Centro - 09/12/15]
Viver é burlar a vida.
Não adianta, você não vai aprender pelo jeito certo ou errado. Porque não existe certo e errado. Você vai aprender, isso apenas acontece.
Não é sendo puxado pelas mãos que a criança aprende a caminhar, o auxílio dos pais é só auxílio, e não são eles que vão te ensinar, você que vai aprender. Afinal, educar não é ensinar. Educar é ajudar a descobrir. Da frustração, obtemos a glória; no simples aprendemos a amar; da pancada, descobrimos como nos esquivar.
O aluno que não cola também sai da escola, mas o que cola também sai e não será pior ou melhor. Viver é burlar a vida, se ela nos dá a dificuldade, nós que achamos o melhor jeito de sair. Não digo qualquer jeito de sair dela, respeitemos o limite dos outros e tenhamos bom senso. Mas também não precisamos fazer sempre o que esperam que façamos. O absurdo que se faz hoje pode ser a razão do seu sucesso amanhã.
Assim como trapaceamos no videogame achando o ponto fraco do "chefão", saibamos achar o ponto fraco da vida. Se ela tá difícil, sejamos piores. Se o tempo tá ruim, quem tá ruim é ele, não a gente. A vida não é receita de bolo. Se a realização de alguns foi indo pela direita, os de outros será pela estrada à esquerda.
O que leva um médico a salvar uma vida é o mesmo que leva a diarista a lustrar a casa, é a trapaça. Trapaceamos nossas experiências e aprendemos a buscar motivação; aprendemos que fazer alguém chorar é mais doloroso que a história trágica que vimos na televisão. Não é ser insensível com a grande tragédia que aconteceu, mas sejamos sensíveis com os pequenos atos do dia-a-dia que podemos evitar muitas tragédias futuramente. A mudança do mundo tá no bom senso, não com o choro moldado por informações que empurram pra sala da nossa casa.
Aprender é colecionar experiências, não está escrito em nenhum livro. Ninguém sai advogado somente decorando artigos e constituições; nenhuma ideia é boa até que não tenha saido do papel; só bom gosto não faz moda. É preciso sempre algo mais. E é trapaceando que aprendemos a achar esse “algo a mais”, é o que a experiência não moldada nos ensina ao longo da vida.
Chute o balde. Ele sempre parado no mesmo lugar, alguma hora vai incomodar.