02/01/2026
James Brown não apenas moveu a América, ,ele moveu o mundo.
Muito antes de hashtags e momentos virais, sua voz atravessou o Atlântico em fitas piratas, ondas de rádio e sussurros. DJs africanos passavam seus discos de mão em mão, e jovens músicos estudavam seus grooves como se fossem textos sagrados. Para muitos no continente, ele não era apenas o Padrinho do Soul, ele era o som de um mundo negro em ascensão.
Em 1969, Fela Kuti viu James Brown se apresentar nos Estados Unidos e observou cada passo, cada linha de metais, cada comando que Brown dava à sua banda. Ele levou esse fogo de volta para a Nigéria… e o Afrobeat nasceu.
Um gênero inteiro surgiu a partir de uma faísca.
Mas a influência de Brown na África foi muito além de uma noite ou de um único artista. Nações recém-independentes o viam como um símbolo do orgulho negro global, um lembrete de que o ritmo sobreviveu a todas as tempestades enfrentadas pelo nosso povo. Suas músicas se tornaram a trilha sonora de festas de rua, celebrações da independência e movimentos políticos. Músicos de Gana à África do Sul beberam de suas seções rítmicas para construir sua própria música de protesto, sua própria alegria, sua própria identidade.
E quando James Brown finalmente visitou a África, a recepção pareceu mais um retorno ao lar do que uma turnê. Multidões o receberam como um filho que voltava, um homem cujo som carregava a memória de um povo que partiu, sobreviveu e ainda assim encontrou o caminho de volta por meio da música.
Na América, ele era uma superestrela.
Na África, ele era um símbolo.
O Padrinho do Soul.
E, em espírito… o Avô do Afrobeat.