10/03/2025
Talvez os leitores de “Prosérpina” vejam Dorian Grey como uma referência. Eu vejo o patriarca da família Sardinha – Napoleão da novela Da cor do pecado (2004) – que, tal qual a protagonista que leva o nome do livro, mostrava se mexer de forma estática em sua moldura.
Fato é que a romantasia de Anna Martino transporta quem a lê para um universo um tanto parecido com Carnival Row (2019) – algo entre as eras Vitoriana e Eduardina –, com magia e representatividade que se encaixariam perfeitamente na série.
Afinal, se apaixonar por uma mulher que é uma pintura seria mais absurdo se ela mesma não viajasse de um quadro a outro. Ainda mais se ela não saísse desse quadro para os braços de Theo Jansen, o colorista aparentemente bi*****al que protagoniza o romance.
A parte fantástica se fortalece com a presença mágica de Pasha Doyle, amigo de Theo, que demonstra seus poderes em alguns trechos e é chamado de “filhote de fada” em vários momentos.
Pasha também é o responsável por levar o quadro de Prosérpina até o colorista, alegando ser a melhor pessoa que ele conhecia para avaliar o que havia de diferente – mágico – naquela pintura.
Nesse desenrolar, acompanhamos outros personagens igualmente únicos, como o anglo-egípcio Samir – que ganha seu próprio conto romântico no final do livro –, Gwen, esposa de Pasha, e Lorde Farrington, o proprietário da tela de Prosérpina e por quem a própria teme ser levada de volta a seus domínios.
Quando Theo se vê apaixonado pela dama que já fora óleo e tinta, tenta, a todo custo, protegê-la das garras do Lorde. A fuga carrega acontecimentos marcantes da história e aplica ainda mais emoção a essas menos de 200 páginas de amor e magia.
Anna Martino br**ca com as cores entre as emoções e percepções dos personagens, fascinando o leitor quando Theo enxerga vermelho no que sente por Prosérpina e um verde nojento quando se depara com Emmanuel, filho do Lorde Farrington. E ainda nos presenteia com um conto romântico entre Samir e uma misteriosa italiana amaldiçoada.