12/04/2026
ZICO DO BAR: o homem que transformou um balcão em ponto de encontro da cidade
Uma vida marcada pelo trabalho, pelo esporte e pelas histórias que ajudaram a construir Franco da Rocha.
Arlindo Pinto, o conhecido Zico do Bar, nasceu em Franco da Rocha, em 10 de junho de 1938. Filho de um imigrante português que veio trabalhar no Hospital do Juquery e de uma mãe da região de Mairiporã, cresceu em uma cidade ainda em formação, onde as dificuldades eram muitas — e o trabalho começava cedo.
Ainda menino, Zico já dava seus primeiros passos na vida profissional como engraxate, em frente à Estação Ferroviária. Foi ali, entre o movimento dos bares e o vai e vem das pessoas, que começou a construir sua história. O destino mudaria quando foi chamado para trabalhar no Bar da Etelvina — e nunca mais saiu do balcão.
Ao longo dos anos, passou por diferentes experiências: trabalhou em padaria, no hospital do Juquery e até em fábrica. Mas foi no ambiente dos bares que encontrou seu verdadeiro lugar. No início dos anos 1960, assumiu, ao lado de amigos, o bar do clube Expedicionários, onde viveu momentos marcantes — entre jogos de futebol, partidas de bocha, baralhos e histórias que atravessaram gerações.
Apaixonado por esporte, Zico viveu intensamente o futebol local, especialmente o time Expedicionários, que acompanhava com emoção — a ponto de fechar o bar para seguir o time em jogos fora da cidade. Também teve forte atuação na bocha, sendo jogador, dirigente e organizador de campeonatos que movimentavam Franco da Rocha e região.
Na vida pessoal, construiu uma família sólida ao lado da esposa Neuza, com quem teve filhos, netos e uma vida marcada pelo trabalho e pela dedicação. Mas foi no bar que deixou sua maior marca.
Depois de passar por outros pontos comerciais, fixou-se definitivamente na rua Amália Sestini, onde nasceu o Bar do Zico — um verdadeiro símbolo da cidade. Mais do que um comércio, o espaço se tornou ponto de encontro de amigos, trabalhadores, políticos e frequentadores de todas as idades.
Durante décadas, Zico e seu irmão Arthur mantiveram o bar funcionando todos os dias, com uma rotina quase ininterrupta: um abria cedo, o outro fechava à noite. Ali, entre cafés, cervejas e conversas, formou-se uma clientela fiel — que, para ele, sempre foi mais do que freguesia: era amizade.
Nem tudo, porém, foi fácil. Zico enfrentou momentos difíceis, como as enchentes que atingiram a cidade — especialmente a de 1987, que deixou marcas profundas. Ainda assim, seguiu em frente, reconstruindo não apenas o bar, mas também o espírito de convivência que sempre cultivou.
Chegou a se aventurar na política e assumiu, por um período, o cargo de vereador. Mas nunca escondeu que sua verdadeira vocação era outra: estar atrás do balcão, ouvindo histórias e fazendo parte da vida da cidade.
Hoje, ao olhar para trás, Zico resume sua trajetória com simplicidade: tudo o que fez, fez porque gostava. E talvez seja esse o segredo de sua história.
Mais do que um comerciante, Zico se tornou um personagem da memória de Franco da Rocha — alguém que ajudou a manter viva a tradição dos bares como espaço de encontro, conversa e pertencimento.
Porque, no fim das contas, o Bar do Zico não é apenas um bar.
É um pedaço da história da cidade.
Tuca Machado
Publicado originalmente no jornal Juca Post – edição nº 189 – maio de 2007.
A versão integral desta história está no livro ALMANAQUE JUCA POST Nº 2, Editora UICLAP.
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A cidade de Franco da Rocha é rica em histórias e estórias. Ao longo de seus 40 anos de existência, o Juca Post publicou uma imensa quantidade de relatos, crônicas e narrativas marcantes, escritas por seus colaboradores.
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