05/06/2026
RAÍZES - Assim que engravidou, Amanda Jersey Martins Pandolff, hoje com 33 anos, não teve um segundo de dúvida: sua filha se chamaria Vitória. “Eu sentia que ela seria minha vitória pelas lutas que eu passava”. Mulher negra, moradora do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, ainda com 18 anos à época, sem ter concluído os estudos e pertencente a uma comunidade religiosa com princípios rígidos. Essa era a batalha. “Eu fui muito julgada”. O mesmo julgamento social que a forçou a ter o cabelo alisado com produtos químicos extremamente fortes aos 8 anos e, mais tarde, a fez virar noites tendo os fios trançados para não sofrer bullying na escola pela manhã. Hoje, logo após a profissão de trancista ter sido oficializada pelo governo federal – um marco histórico no país –, a mulher que demorou a aceitar o próprio black se orgulha de ser a proprietária de um salão com foco no penteado que conecta não só ela, mas tantas outras pessoas com suas ancestralidades.
O reconhecimento das trancistas é recente, mas a história das tranças é de muito, mas muito antes. A Cleópatra, que viveu entre 69 a.C e 30 a.C, já as usava, às vezes, até com fios de ouro para esbanjar a riqueza do Antigo Egito. No Brasil Colônia, o penteado foi usado, inclusive, como rota de salvação por negros escravizados. A consciência sobre essa história tem levado cada vez mais pessoas a aceitarem os próprios fios e a apostarem nas tranças. Um impacto positivo para os negócios da área.
Fonte:
📷 Daniel de Cerqueira/O TEMPO