15/12/2025
Quando os ossos foram encontrados, ninguém precisou de palavras para entender que ali existia uma história interrompida com violência silenciosa. A ossada humana estava deitada de lado, braços recolhidos, como quem tentou proteger algo até o último segundo. Encostada ao peito, a ossada do cachorro permanecia colada, costelas alinhadas como se ainda buscasse calor. Peritos apontaram que não houve luta, não houve tentativa de fuga, apenas permanência. Os dois ficaram juntos enquanto o ar acabava, enquanto o frio avançava, enquanto o tempo parava. O cachorro não se afastou nem quando o corpo humano perdeu força, não se moveu quando a morte chegou primeiro ao dono. Permaneceram abraçados porque, naquele instante final, a separação não era uma opção. O lugar indicava abandono, isolamento, ausência de socorro. Nenhum dos dois foi procurado a tempo. A cena não mostra apenas morte, mostra lealdade mantida até o fim, vínculo que resistiu à dor, à fome e ao medo. Aqueles ossos juntos não contam como morreram, contam por que não se soltaram. Onde o humano caiu, o cachorro decidiu ficar. E ali, lado a lado, o silêncio tomou tudo.