11/09/2026
CRÔNICA
MINHA TIA NÃO ESTÁ LÁ...
Lurdinha... Ela era a minha tia mais querida!!!
Éramos quase da mesma geração e ela com alguns anos a mais era a minha conselheira, irmã da minha falecida mãe, a minha amiga de todas as horas!
Todas as vezes que eu ia a Taiaçu, obrigatoriamente tinha que passar na casa dela pra gente bater papo.
Sem dúvida, era a minha referência, meu porto seguro. Era a tia que puxava minha orelha e desabafava sobre sua vida.
Depois que se separou do primeiro marido, teve relacionamentos curtos com homens acima de sua idade, mas em cada um deles se dedicou ao máximo e, justamente com o derradeiro companheiro, teve seus sonhos interrompidos bruscamente de um dia para o outro.
Seus planos de se mudar para uma casa nova, num outro bairro ou até mesmo na vizinha Taiúva, ficaram prá trás!
E de um mal-estar que parecia temporário e corriqueiro, ela se despediu de tudo o que mais gostava!
Seus gatos ficaram perdidos por aqui. Suas sombrinhas, seu inseparável celular e seus pertences foram abandonados já no dia seguinte...
Porém, deixou um legado de amor ao próximo, de conselheira, de mulher guerreira de fibra, que gostava de política e que tinha admiração pela sua líder, a prefeita Sueli Biancardi. E sempre fazia questão de relembrar passagens marcantes com o ex-prefeito Jamiro Biancardi, também falecido repentinamente.
A Lurdinha era tão solidária que por vezes adotou até o que não era seu...
Quantas vezes fomos buscar frutas em sítios e fazendas da região...
Ela era mais cara de pau do que eu e não se intimidava em entrar num pomar de alguém conhecido seu, para pegar algumas mangas, goiabas, laranjas...
Sua passagem por aqui, porém não foi reticente!
Todos os seus vizinhos próximos e até distantes, tiveram seu carinho e sua atenção, especialmente nos momentos derradeiros, em que mais precisavam de ajuda!
Ela controlava até o horário em que eles precisavam tomar remédio. Se estavam mesmo descansando, se tinham tomado banho...
Quantas vezes ela deu banho em dependentes, sem se importar no s**o do adoentado e ainda puxava a orelha dele por não se cuidar direito!
Lurdinha conhecia todo mundo na cidade e ia a todos os velórios. Lá ficava por horas e até ajudava num cafezinho, ou em outra coisa mais urgente. Ela já conhecia a casa, pois lá trabalhou por um bom tempo!
Todos os dias, especialmente pela manhã lá estava ela protegida pela sua sombrinha e agarrada ao seu celular, andando pelas ruas da cidade sem nenhuma pressa. A aposentadoria deu a ela essa tranquilidade e sempre dava um jeito de passar no supermercado perto de sua casa para comprar alguma coisa e aproveitar para ver seu filho que lá trabalhava.
Ela foi a minha referência de vida, meu norte e minha inspiração!
O destino nos separou bruscamente, mas nunca vou esquecer de seus conselhos, de sua generosidade e de seu prazer pela vida, em poder ser útil para as pessoas.
Às vezes, quando vou na Taiaçu da minha infância e adolescência, me vejo passando em frente à sua casa, de frente com o seu portão...
Porém, olho aquele portão fechado e aí me lembro que minha tia querida não está mais lá. Ela se despediu de mim sem uma palavra, sem um adeus...
“Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém à minha espera
Passos indecisos... caminhei
E parei
-----O Portão / Roberto Carlos
Sua presença me faz muita falta, mas sigo vivendo de sua eterna lembrança, de suas briguinhas com vizinhos barulhentos que tiraram seu sossego nos seus dias derradeiros.
Enfim, está difícil prá mim viver sem sua presença, seu carinho, seus conselhos...
“Das coisas que eu quero fazer
E ainda não fiz
Na vida tudo tem seu preço
Seu valor..
E eu quero dessa vida
É ser feliz !
---Fábio Junior / 20 e Poucos Anos
Marcos Ferreira, seu sobrinho