04/09/2026
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Durante muito tempo, escondi uma dor que não conseguia transformar em palavras. Por fora, eu tentava continuar normalmente. Por dentro, carregava angústia, culpa, solidão e um sofrimento que parecia impossível de explicar.
Eu era cristã, frequentava a igreja, orava e acreditava em Deus — e, mesmo assim, estava sofrendo.
Ser cristã não me tornou imune ao adoecimento emocional. Também não significava que eu tinha pouca fé. A fé me sustentou, mas eu também precisei de acolhimento, ajuda e cuidado com a minha saúde mental.
Hoje, não me orgulho de ter me machucado, mas não condeno mais a pessoa que eu fui. Eu aceito e acolho minha história. Aquela versão de mim não precisava de mais julgamentos: precisava ser ouvida e protegida.
Hoje sou terapeuta emocional e estudante de Psicologia. Além de estudar o sofrimento humano, eu também conheço a dor de quem precisou lutar para permanecer aqui.
Minha experiência não substitui o acompanhamento profissional, mas tornou minha escuta ainda mais humana. Estou aqui para acolher, orientar e ajudar outras pessoas a encontrarem caminhos mais seguros — e, quando necessário, incentivá-las a procurar outros profissionais e serviços de saúde.
À comunidade cristã, deixo uma reflexão: oração e acompanhamento profissional não são inimigos. A igreja precisa ser um lugar onde alguém possa dizer “eu não estou bem” sem ser acusado de falta de fé.
Você não precisa ferir seu corpo para provar que sua dor existe. Sua dor já é real e merece ser levada a sério.
Eu não conto minha história para ensinar feridas. Conto porque sobrevivi a elas e hoje escolho transformar essa experiência em compromisso com a vida.
Se estiver difícil, não enfrente isso sozinho:
💛 Converse com alguém de confiança.
💛 Procure acompanhamento profissional.
💛 CVV: 188 — gratuito, 24 horas.
💛 Em uma emergência: SAMU 192, UPA ou pronto-socorro.
Existe cuidado. Existe ajuda. Existe vida depois da dor.
Acolhim