15/04/2026
Entre Linhas com Maison Rivera
“A fila que ninguém vê”
Era pouco mais de 6 da manhã em …
e a fila já estava formada.
Não era fila de show.
Não era fila de promoção.
Era fila de necessidade
Tinha mãe com criança no colo,
idoso tentando se equilibrar no cansaço,
gente olhando pro relógio já sabendo que, se fosse atendido, perderia o dia de trabalho.
Mas o que mais chama atenção…
não é a fila.
É o silêncio.
Ninguém grita.
Ninguém faz escândalo.
Porque, no fundo, todo mundo ali já aprendeu a mesma coisa:
quem precisa… aguenta.
E enquanto isso, do outro lado da cidade ou melhor, das telas, tudo parece perfeito.
Post bonito.
Obra anunciada.
Evento acontecendo.
Uma cidade que, nas fotos, funciona.
Mas quem vive… sabe.
A cidade das redes sociais não é a mesma da fila.
E talvez o maior problema não seja a fila continuar existindo.
Seja o fato de que ela deixou de indignar.
Virou rotina.
Virou paisagem.
Virou normal.
E quando o errado vira normal…
é aí que o problema se enraíza.
Mas existe uma saída.
E ela não começa lá em cima.
Não começa em gabinete.
Não começa em discurso.
Começa aqui embaixo.
Na cabeça de cada um.
No dia em que a população entender o peso do voto…
no dia em que parar de escolher por favor, por promessa ou por conveniência…
as filas começam a diminuir.
Não porque um político quis.
Mas porque foi obrigado a fazer.
Existe esperança, sim.
Mas ela não está em quem se elege.
Está em quem escolhe.
Porque no fim…
a cidade nunca é maior que a consciência de quem vota nela.