06/06/2026
Um final de ano inesquecível.
Caros leitores e amigos da Ink&Blood,
Aqui vai mais um pouquinho dos bastidores de vida editorial desses quase onze anos do retorno das revistas Calafrio e Mestres do Terror.
Metade de outubro de 2021, Calafrio 73 recém lançada. A Pandemia ainda assombrava a humanidade, e enclausuramento das pessoas aumentou o interesse do público sobre produtos culturais. Foi o crescimento e estabelecimento de grande parte dos leitores que acompanham a editora.
Já estava na hora de uma edição temática de Natal, porém pouco ou nenhuma história sobre o tema havia no banco para formar uma edição.
Indo até os recursos, Gian Danton tinha um roteiro natalino muito no clima do que ele fez na clássica Decadence. Bira Dantas estava muito animado com sua incursão no mundo do terror e assumiu a arte, além de ter me encostado na parede e quase exigido a capa. Eu tinha um spin-off da série dos psicopatas do Gian com desenho do meu ídolo Antonio Eder. Conversei com Tony Fernandes que produziu uma lenda do Papai Noel bem macabra, além de presentear a todos com um relato pessoal sobre outro ídolo, Reinaldo de Oliveira. Completei a edição com um roteiro meu de apresentação da equipe (o unico até hoje publicado na editora que não usei pseudônimo), que o ligeiro Ivan Lima desenhou os mais recorrentes artistas da Ink&Blood e o astro incômodo das seções de correio, Siufleds Corona, que na HQ me decapitou e usurpou naquele momento o cargo de editor. Estava definida a edição de Natal de Calafrio, que puderam conferir no número 74, que seria o quinto de Calafrio no ano.
Aconteceu que eu tinha dois ótimos problemas pela frente. O empolgado Bira resolveu roteirizar uma HQ de Natal com desenhos do inegável Eduardo Vetillo. Eu falei que poderia guardar para dali um ano. Claro que o Bira não aceitou e mandou eu aumentar o número de páginas da Calafrio 74, o que eu não aceitaria mesmo. Outra ausência de sono era a série aquarelada com a adaptação do filme clássico Nosferatu pelo Marcio R. Garcia , que ainda tinha três episódios para concluir, e em 2022, ano do centenário do filme, eu entendia essencial para a publicação desse encerramento. Que dentro do planejado, ou eu publicava dois episódios em uma das edições de 2022, ou...
Também havia problema ruim, e ele era o prazo para lançar tudo em dezembro a considerar diagramação, revisão e gráf**a.
Entrei em contato com o Sid Castro que iniciava a diagramação do que estava pronto para a Calafrio 74. E aconteceu o primeiro dialogo (boa parte, inventado, pois há lacunas de memória depois de tanto tempo):
- Sid, será que dá para lançarmos uma Mestres do Terror extra ainda este ano? O Bira não sai do.meu pé pra publicar a HQ desenhada pelo Vetillo.
- Daniel, tenho como fazer, mas troca a HQ dele e do Gian então por essa na Calafrio.
- Não dá. Número de páginas diferente, e seria uma sa*****em com o Gian. E se usarmos aquela HQ do Gotik sua e do Rubens Lima reservada pra MT76 de fevereiro do ano que vem, eu peço algo urgente da Anya pro Laudo Ferreira que é rápido também. Assim adianto o capítulo necessário do Nosferatu do Márcio. A capa já está pronta mesmo! E eu escrevo uma matéria pra edição que tenho planejada.
- Então damos um jeito! Manda ver, mas não deixe pra enviar na última hora.
Assim, haveria uma Mestres do Terror 76, a terceira do ano, ainda em 2021.
E o trabalho fluiu incrivelmente rápido entre eu e o Sid; e o Bira teria seus anseios atendidos. Só que o trabalho realmente estava fluindo muito mais tranquilo que o usual. Eu escrevi um artigo sobre as cópias entre Marvel.e DC para a edição em menos de uma semana.
Veio a hora do segundo dialogo algumas semanas depois, na segunda semana de novembro:
- Sid, o André Bozzetto Jr. (que anda sumido) me mandou aquele conto bacana, tenho a primeira HQ da Satã que o Fernando Ikoma mandou. E tem mais aquela primeira HQ de terror da carreira do Julio Shimamoto .
- Daniel, e o que que tem? Vai trocar algo na Mestres 76? Já tenho parte da edição pronta.
- Estava pensando em deslanchar aquele titulo novo de HQs Clássicas e.contos idealizado que estou há dois anos enrolando pra fazer.
- Eu acho que dá, no trabalho as coisas estão meio devagar. A gráf**a vai conseguir fazer?
- Desde o começo da Pandemia eu tenho sido o maior cliente deles (pasmem), devem agradecer por isso.
- Está bem, só não invente mais nada, nem dará tempo de mudança de percurso.
- Tudo bem, Sid, eu sei. Não temos nem dez dias para mandar pra gráf**a.
- Lembre disso semana que vem.
Claro que pouquíssima gente, nem mesmo os artistas fora da MT76 sabiam o que estava acontecendo. Então, com as revistas impressas em mãos, mandei uma mesagem pro Cassio Witt para marcarmos a live de lançamento da Calafrio 74.
Começo de dezembro de 2021 estava em transmissão na forma de brincadeira (minha) no TV Calafrio. Foi um dos programas mais animados de todos, o Cassião mesmo não sabia de nada, quando, depois de descrever a Calafrio de Natal, falei que tinha mais. Apresentada a MT76 de surpresa, e o nosso amigo encerrando o assunto, falei no vídeo sobre quem havia falado em duas revistas. Então, de forma bombástica foi anunciado o novo título da Ink&Blood, Calafrio Apresenta Terror Negro.
Já seria o.melhor.dezembro de todos, porém, o destino atuou novamente.
Não deu uma semana e o Eduardo Cardenas me apresentou uma edição especial pronta e diagramada, prometida havia tempos. Faltava um editorial meu e os logos de capa.
Diálogo três (dialogo é uma generosidade comigo mesmo, pois eu estava sem palavras):
- Daniel, estou com uma edição especial pronta. Está dentro do universo dos filmes do Rodrigo (Aragão).
- Eduardo, eu quero publicar, mas este ano não dá tempo e nem recursos mais. Acabei de tirar três edições da gráf**a. Se fosse dias semanas atrás...
- Ela está toda pronta, e o Rodrigo quer que seja publicado por você (!!!).
Não tinha opção, o Eduardo me pescou pelo ego. Se os leitores já tinham o presente de Natal, haveria então mais um de Reveillon. O Livro Ma***to de Cipriano iria vir à luz do dia.
A revista saiu da gráf**a entre o Natal e o Ano Novo. Liguei pro Cássio novamente e falei pra ele que fizéssemos uma transmissão no dia 31 de noite antes da virada (nerds cooperam entre si). O Cássio falou que ia estar em transmissão ao vivo só conversando com os expectadores, então poderia ser.
Novamente ele não fazia ideia do que estava acontecendo, e eu coloquei o Cardenas na transmissão pra deleite da galera.
Assim foi o dezembro de 2021, um mês que o caixa da Ink&Blood foi pro vermelho(aço) devido a tantos lançamentos em apenas um mês. Foi o melhor mês da editora.sob o ponto de vista da realização editorial. Sempre faltarão agradecimentos a todos os envolvidos e aos leitores que apoiaram.
Aliás, tem alguém aí que torce por mais ocasiões assim? E se...
Grande abraço do amigo editor.
Daniel Saks