24/03/2021
Você já foi julgada pela sua forma de vestir?
Desde pequena julgavam a minha. Me achavam "exagerada".
Na adolescência eu ouvi de uma agência (quando iniciava minha carreira de modelo) que pra eu ser "a escolhida" eu precisava ser a mais discreta possível, pra evitar que "não fossem com a minha cara" e também, para que me vissem como eu realmente era.
Imagina o que esse simples comentário não construiu de crenças na minha cabeça!
Quando abandonei a carreira de modelo e estava cursando gastronomia, uma amiga consultora de imagem me atendeu de cobaia, durante a avaliação de formato de corpo ela me disse que minha silhueta era desproporcional demais (meus ombros são mais largos que os quadris), além disso eu era muito alta (tenho 1,78), então precisávamos tonar meu visual mais delicado e harmonioso.
Eu fui incentivada a largar calça skinny (que eu amava) e roupas com uma pegada ‘muito pesada’ (que eu também gostava na época), pois ambos agregariam muito volume no meu corpo. Volume era pra eu usar só no quadril, estampas também, afinal, ele era estreito demais.
Falas que impactaram a minha autoestima e me fizeram acreditar que eu realmente precisava me vestir “estrategicamente”, afinal, quem quer ser desproporcional se existe outro caminho que é considerado mais adequado?
Eu fui incentivada a "seguir as regras” e por muito tempo (muito mesmo) eu me senti completamente distante de mim.
Até que a consultoria de imagem entrou na minha vida (isso faz 10 anos) e durante cada atendimento, de cada cliente, eu fui entendendo que não era só eu que não olhava pra dentro ao vestir. Percebi que muitas vezes a gente não veste o que quer com medo de desagradar e que muitas vezes quando outras mulheres decidiam fazer o que a gente não tem coragem, a gente JULGA. Como por muitas vezes, nos julgaram.
Aprendemos assim… mesmo nos machucando a gente reproduz.
Isso tornou meu processo profundamente diferente. Eu quero o oposto.
Eu quero que cada mulher que passe por mim se pergunte verdadeiramente o que ela quer. Não o que esperam dela.
É preciso muita coragem pra ser quem somos e não o que esperam de nós.
Comenta aí se você já foi julgada pelo seu jeito de vestir.