12/11/2025
Bom dia!
Trabalhar...nem sempre é opção em parar; mas a dor te obriga a repensar tudo.(eu)
Existem comprimidos que não vêm em frascos.
Eles não são feitos de substâncias químicas, mas de realidades duras demais para aceitar.
São os comprimidos invisíveis que quem tem fibromialgia engole em silêncio — todos os dias.
O primeiro é desistir — ou adiar para sempre — a carreira que você sonhou.
Ver seus planos se despedaçando entre crises, dores e dias em que o corpo simplesmente não responde.
Você não escolheu parar, mas a dor te obriga a repensar tudo.
Outro comprimido amargo é ouvir que “não há cura”.
Que você terá de aprender a viver com algo que não se vê, não tem fim, e muda sua vida inteira.
Não há pílula mágica. Não há promessa de melhora garantida.
Só o desafio de acordar todos os dias e tentar — mesmo assim.
Depois vem a aceitação, que não é simples, nem plena.
Aceitar que se trata de uma doença crônica, que não vai “passar com o tempo”.
Que requer paciência, autocuidado e uma força que você nem sabia que tinha.
Outro comprimido difícil é a perda das relações.
Amigos que somem. Familiares que não entendem.
Pessoas que te chamam de “dramática”, que duvidam, que se afastam quando você mais precisa.
E aí você aprende a valorizar os poucos que ficam — aqueles que enxergam além da aparência.
Há também o comprimido da limitação:
O desejo de fazer o que o corpo já não permite.
De sair, dançar, caminhar, trabalhar, viver como antes.
Mas o corpo grita “não”, e você precisa ouvir — mesmo com o coração dizendo “sim”.
Engole-se ainda a culpa, por precisar descansar.
Por cancelar planos, por dormir demais ou não conseguir levantar.
Por sentir que decepciona quem não entende que descansar não é luxo — é sobrevivência.
E por fim, o comprimido mais silencioso: ser julgada por parecer bem.
Sorrir e ouvir “mas você nem parece doente”.
Como se a dor precisasse ser visível para ser real.
Como se o sofrimento precisasse de testemunhas para existir.
Mas, entre tantos comprimidos difíceis de engolir, há também pequenas vitórias.
Levantar da cama num dia ruim. Tomar banho sozinha. Conseguir sorrir depois de chorar.
Essas são conquistas que o mundo não vê, mas que só quem vive a fibromialgia entende o tamanho.
E assim seguimos — fortes, exaustas, persistentes — aprendendo a viver com o que não tem cura,
mas não pode roubar quem somos.
Gente De Fibro SA Andre Silva Câmara de Vereadores de Santo Ângelo Secretaria Estadual de Saúde do RS GenteDeFibro Tânia Lima Grupo Sepé