17/07/2026
“Cá, você não tira mais fotos em estúdio?”
Quando me perguntam isso, eu logo me lembro do porquê decidi mudar. Eu lembro de correr descalça, de vozes chamando para o almoço, de memórias de uma infância que quase não tem registros físicos.
Então, de vez em quando, eu volto para lá pela lembrança, como quem reabre um livro só para não esquecer o cheiro das páginas. E foi refletindo sobre isso que algo se ajeitou dentro de mim.
Eu percebi que uma fotografia não guarda só o rosto de alguém posando num dia qualquer. Ela guarda o caminho de volta.
De volta para a grama sob os pés. Para o encantamento puro de uma criança com um animalzinho. Para aquele jeito de rir solto em família num fim de tarde. Para os momentos que, sem a gente perceber, um dia vão virar saudade.
Foi por isso que troquei o fundo infinito do estúdio pela luz do sol. Deixei de perseguir a foto perfeitamente ensaiada e comecei a buscar o que é verdadeiro.
Porque a barra do vestido suja de terra importa. O abraço espontâneo importa. O colo no fim do dia importa. São esses detalhes miúdos e reais que seguram a vida enquanto ela passa.
E, quando o tempo levar tudo, o que vai ficar não será apenas uma imagem esteticamente bonita. Será uma janela aberta para um dia mágico que não se repete.
Talvez, agora mesmo, você esteja vivendo um capítulo que um dia vai dar tudo para reler.