11/09/2026
João Lucas Brito, de 24 anos, estudante do 11º período de Medicina no Recife, denunciou à Polícia Civil de Pernambuco comentários de cunho r4c1sta recebidos depois de publicar no Instagram fotos de seu ensaio de formatura. Nascido e criado na Comunidade do Cardoso, no bairro da Madalena, ele escolheu celebrar a conquista destacando justamente suas origens. 🎓
Nas imagens publicadas em 1º de setembro, João aparece de jaleco, com óculos escuros e segurando o livro Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s. Fã do grupo, ele explicou que conhece as músicas de cor e que sempre imaginou levar o livro para o ensaio por representar uma parte importante de sua trajetória. 📚
Segundo o estudante, um perfil atribuído a um médico de Brasília, que não o conhecia pessoalmente, escreveu em uma das fotos: “Saudades de quando favelado não entrava em medicina… Bons tempos”. Depois que outros internautas reagiram ao comentário, o mesmo perfil teria publicado outra mensagem dizendo que João em breve estaria “m4tand0 com um carimbo do CRM na mão”, além de questionar a qualidade da classe médica. 🗣️
João também relatou comentários depr3ciat1vos sobre instituições de ensino do Nordeste. O autor das mensagens teria se identificado como médico durante a discussão e informado seu registro profissional. As publicações of3ns1vas acabaram sendo apagadas, mas o estudante fez capturas de tela antes da exclusão para preservar o conteúdo como prova. 📲
No dia 4 de setembro, João registrou boletim de ocorrência. A Polícia Civil de Pernambuco informou que o caso está sob investigação da Delegacia do Cordeiro como injúria praticada em ambiente virtual. O estudante também avalia encaminhar o material ao Ministério Público de Pernambuco e ao Conselho Federal de Medicina. ⚖️
João estuda na Faculdade Pernambucana de Saúde com bolsa integral do Prouni e deve se tornar o primeiro médico de sua família. Atualmente, também realiza o estágio obrigatório em clínica médica no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). 🩺
Além da graduação, ele já cursa doutorado em Saúde Integral no Imip e tem previsão de realizar um intercâmbio no Canadá em 2027. Sua pesquisa envolve desigualdades étnico-raciais e territoriais relacionadas à maternidade na adolescência no Brasil, e ele pretende seguir profissionalmente na área de Psiquiatria. 🌎
Ao responder publicamente aos at4qu3s, João decidiu ressignificar justamente o termo usado contra ele. Disse que não considera “favelado” uma ofensa e reafirmou com orgulho sua origem periférica. Para o estudante, todas as conquistas acadêmicas que acumulou não deveriam ser necessárias para provar que ele merece ocupar uma vaga em Medicina. ✊🏾
João também contou que já havia enfrentado situações de prec0nce1to anteriormente, embora ressalte ter sido acolhido por professores, funcionários e grande parte dos colegas durante a faculdade. Desta vez, decidiu levar o episódio adiante porque, segundo ele, não queria permanecer em silêncio diante de uma vi0lênc1a que também atinge outras pessoas. 🤝
Depois de se formar, além de buscar a especialização em Psiquiatria, João afirma que deseja trabalhar também em sua própria comunidade, transformando a conquista pessoal em uma forma de abrir caminhos e ampliar referências para outros jovens da periferia. ❤️
O que você achou da decisão de João de d3nunc1ar o caso e transformar o termo usado contra ele em motivo de orgulho de sua origem? 💬
Fonte: UOL; Diário de Pernambuco; CBN Recife; Polícia Civil de Pernambuco.