10/05/2026
Hoje é Dia das Mães.
Eu não sou mãe, mas fui criada por uma mulher pequena na estatura e imensa na força, nos sonhos e nos desafios. Minha mãe foi daquelas mulheres raras, que transformavam pouco em muito. Com o que ela e meu pai ganhavam, conseguia sustentar a família, acolher filhos que a vida foi trazendo, ajudar agregados e ainda fazer tudo parecer possível. Administradora nata da vida.
Ela nunca se conformou com pouco. Sempre buscava melhorar a qualidade de vida da família, criar conforto onde quase não existia recurso, cuidar de quem estivesse doente, cansado ou precisando de carinho. Com o tempo, ela ficou ainda mais gentil. E tinha um jeito único de demonstrar amor: um pedaço de bolo trazido em silêncio, como quem dizia “vai ficar tudo bem”.
Minhas melhores lembranças moram na infância e na adolescência. Uma delas ficou eternizada em mim. Eu devia ter uns 14 ou 15 anos quando meu pai alugou um bar no terreno da minha tia e eles começaram a vender carnes e frango assado recheado. Acordávamos às 5h da manhã para pegar o ônibus das 5h30. Minha mãe já tinha passado o dia anterior inteiro temperando carnes, organizando tudo, trabalhando sem reclamar.
Quando chegávamos lá, eu recheava os frangos com farofa e costurava um por um. Lembro que nossa maior demanda foi de 100 frangos. Hoje, olhando para trás, percebo que enquanto eu fazia aquilo, talvez tenha sido uma das primeiras vezes em que realmente nos conectamos. Eu consigo sentir aquela sensação até hoje, e ela ainda arrepia minha alma.
Na época, talvez eu não entendesse a grandeza daquele momento. Mas foi ali que herdei dela a vontade de crescer, de lutar, de não desistir da vida.
Hoje é Dia das Mães e eu sinto saudade com doçura e dor ao mesmo tempo. Às vezes penso que talvez eu não tenha me permitido chorar o suficiente esse luto. Mas minha mãe foi luz… e luz não combina apenas com tristeza. Ela merece ser lembrada com amor, com sorriso e com gratidão por tudo o que foi.
Sinto sua falta todos os dias, mãezinha.
E em cada força que existe em mim, ainda existe um pedaço seu.