03/09/2017
A praça é nossa
Cecília Rossé
Segundo a professora Vanessa Goulart, a “praça é um local de encontro, onde possam ser realizadas atividades comunitárias e de lazer, e, portanto, se um espaço, seja qual for seu tamanho, atraia usuários para realizar tais atividades, pode ser considerada como tal. ” Trazendo as palavras da nobre pesquisadora para as searas caririenses, o debate da reforma da Praça Padre Cícero (que se chamava, antigamente, Almirante Alexandrino, figura histórica da marinha do Brasil) é muito salutar para a configuração do espaço urbano da cidade de Juazeiro do Norte-CE e de sua identidade.
As praças são bens de uso comum do povo, onde os cidadãos circulam, usam-nas como local de lazer e ponto de encontro, tornando-se marcos urbanos. A “Praça Pe. Cícero” sempre foi um ambiente de convívio da população e sua área é acessível a todos – inclusive, os inúmeros romeiros que visitam o município levam sempre como recordação uma foto do lugar.
É louvável a iniciativa do administrador municipal em empreender uma reforma da praça. Mas, como estamos em um regime democrático, onde o povo é detentor de vez e voz, por que não foi ouvida a população, os frequentadores do local, aqueles que se sentam nos bancos e por lá transitam, para saberem suas reais necessidades, quais os percursos mais utilizados no vai e vem diário, onde é viável ter mais árvores, bancos etc.? Seria uma decisão de projeto participativo, com a opinião de estudantes, professores, donas de casa, enfim, de todos que realmente usam o local.
O material histórico da evolução dos percursos urbanos, da paisagem, bem como os depoimentos de antigos moradores - personagens ainda vivos que participaram da história de Juazeiro - poderiam ser utilizados, melhor compreendidos, se fossem mostrados à população. Talvez com apresentações e debates públicos, no próprio local, a comunidade poderia atuar como partícipe da reforma. Na cidade contemporânea, inclusiva e diversa como Juazeiro, várias opiniões constroem melhores ideias (e magníficos projetos). Afinal, a praça é “nossa”!