24/10/2019
Falou que eu era fraca e que eu não mais sorria. Não servia mais para ele, para ele eu não mais servia.
Disse que, ultimamente, só me via cansada, cabisbaixa, triste e comigo, não mais se divertia.
Mandava eu me animar, pois eu não tinha motivos para assim f**ar. Me forçava a sorrir, até eu não mais aguentar e com isso, chorar...
E quando eu chorava, mais ele me culpava, só que aí, sim, o pranto rolava...
A culpa, o medo, a incompreensão eram os meu grandes amigos, os únicos que não largaram a minha mão...
E, novamente, a culpa era minha, só minha... pois eu não sabia, não tinha a mínima noção de quem eu era... e cada vez mais eu me perdia...
Eu implorei por ajuda, por socorro, pedi que me desse uma chance, pois eu não sabia como dali, daquele lugar desconhecido, eu sairia...
Gritei sem voz, lágrimas eu precisei esconder, pois se eu as mostrasse, seria quem ele não queria mais ver...
Tentando sair desse lugar escuro e frio, comecei uma luta sozinha, pois já não tinha mais brilho...
E a cobrança não parava: onde está a sua luz? Quando eu te conheci, como você brilhava!
Nessa briga para me redescobrir, sem forças ao menos para agir, me deparei com a maior crueldade, quem eu muito amava não mais se importava, porque eu não estava sendo eu, de verdade...
Frieza, indecisão e traição... Foram algumas batalhas travadas por eu estar com depressão (mas, ainda não sabia).
Não vou mentir, muitas vezes, eu pensei em desistir...
Para me testar me levou para fora, para me ver brilhar, ali eu tinha que funcionar, se isso não acontecesse, teria que me descartar...
Sem alma, parecia que eu estava, como f**aria bem, ainda mais sendo testada?
Eu precisava provar que eu o merecia, nem sequer ponderou que de algum mal eu padecia...
Me lembro bem de um dia, que não aguentando mais tanto desprezo, sem entender o porque, quis daquilo tudo esquecer.
Debrucei no parapeito da janela e exausta queria com toda a dor acabar, mirei a rua e pensei: será que a morte será rápida se eu cair desse andar?
Por duas vezes bem dependurada, eu tive prestes a me jogar, porém, nas duas, eu vi asas imensas me tirando daquela lugar...
Dois anjos muito seguros me fizeram parar...
Pensei no meu filho lindo e comecei a forças criar...
Não sou objeto feito para te distrair, a vida não é br**cadeira, meu caro, caso ainda não saiba, um dia em si irá cair...
Luto desde cedo, verbo esse que você nunca conjulgou, não te culpo por isso, mas de caráter você não usou.
Ainda bem que consegui descobrir que a tal falta de brilho foi de tanto afundar e ressurgir...
Ninguém pede para sofrer, muito menos para de algum mal padecer...
Criei coragem e por mim passei a lutar, cada dia de uma vez, até que de pé eu consegui f**ar...
Provei para mim mesma que ninguém pode me acusar, quem não vive na minha pele, jamais poderá me julgar...
Redescobri aquela luz que tanto me fazia brilhar, mas para isso de quem tanto me acusou, tive que me afastar...
Reaprendi a andar, depois de muito rastejar, mas com o tempo parecia mesmo que eu estava a voar...
Ninguém cura uma ferida profunda de repente... Depressão é doença e quem a tem não é brinquedo é gente...
Quando os anjos me resgataram eu muito agradeci, pois nessa caminhada árdua, Deus a todo momento me dizia: filha de ti eu não me esqueci...
Geziane Maini