29/06/2022
Ci****os eletrônicos podem levar à morte
Não se engane com o aroma de frutas, café e até torta de limão, os ci****os eletrônicos são tão prejudiciais quanto os convencionais. Com uso predominante entre adolescentes, os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) estão cada vez mais atrativos. Os v**es, como são conhecidos, são mais viciantes e possuem uma característica perigosa: a falta de aspectos desagradáveis como cheiro e o gosto ruim dos ci****os comuns.
Constituído de uma bateria que esquenta o coil, um tipo de resistência responsável por aquecer a essência, obtendo, assim, v***r e sabor, o v**e é ilegal, conforme diretriz da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que não impede o consumo no país. Com formatos que variam de pen drive à bombinha de asma, dificultando a identificação do aparelho por parte dos pais.
Segundo a plataforma de pesquisa Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia), pelo menos 1 a cada 5 jovens de 18 a 24 anos usa ci****os eletrônicos, o que corresponde a 19,7% da população.
O médico pneumologista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), Dr. Eduardo Leme, que realiza palestras em instituições de ensino para alertar esse grupo sobre os perigos do hábito, explica que além do fator social e das más influências, o estímulo também se encontra nas alterações fisiológicas que ocorrem nessa fase da vida.
“Os adolescentes, num geral, são mais impulsivos, contraditórios e não possuem muita consciência do risco que correm. Porém, tudo isso faz parte do processo de crescimento deles. Existe uma estrutura no cérebro chamada amígdala cerebral, que é o centro das nossas emoções, boas ou ruins. Por outro lado, também temos uma região denominada córtex pré-frontal, que é o controle dessas emoções. Na adolescência, a evolução dessas regiões é desigual. A amígdala cresce mais rápido do que o córtex, causando esses comportamentos. É uma balança desequilibrada, mas não justifica o uso do aparelho. Não precisamos colocar a mão no fogo para saber que iremos nos queimar”, explica o médico.
De acordo com o especialista, o cigarro possui 4.750 substâncias diferentes, sendo a mais preocupante a nicotina, considerada uma droga pela Organização Mundial da Saúde (OMS), maior responsável pela dependência dos indivíduos e presente na maioria desses dispositivos. “Em um cigarro comum é possível encontrar naftalina e até formol, utilizado para preservação de cadáveres. Tenho 35 anos de formado e me lembro muito bem quando o governo iniciou o mecanismo para inibir o consumo, proibindo as propagandas, delimitando locais exclusivos para fumantes, entre outras ações. Em 15 anos, reduzimos em 50% o número de fumantes no brasil. Agora, com esses novos ci****os, a estatística está subindo novamente. É triste e preocupante”, conta Dr. Eduardo.
Saúde em perigo
O tabagismo pode causar mais de 25 doenças diferentes, sendo o câncer a principal delas, podendo afetar pulmão, boca, rins e bexiga, por exemplo. Recentemente, as comunidades médicas e cientificas, identificaram uma nova doença causada pelo dispositivo: a Evali. A sigla é uma tradução do inglês para doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou va**ng. Acredita-se que a lesão pulmonar tenha relação com um diluente utilizado nesses aparelhos e que afetam o pulmão, causando um tipo de reação inflamatória no órgão. De acordo com o estudo publicado pela revista Thorax, foi revelado que o v***r emitido por ci****os eletrônicos pode ser responsável por desativar as principais células do sistema imunológico no pulmão e aumentar as inflamações no organismo. A doença pode causar fibrose pulmonar, pneumonia e chegar à insuficiência respiratória, levando o paciente a necessitar de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Enquanto o usuário do cigarro comum traga de 10 a 12 vezes, o v**e possibilita que o fumante trague de 150 a mil vezes, com uma bateria que dura por horas. “Já atendi um paciente de 14 anos, que fumou durante toda a madrugada jogando vídeo game com os amigos. A quantidade ingerida foi equivalente a dois maços de cigarro comum. O mesmo deu entrada no hospital com intoxicação por nicotina e precisou ser entubado. A criança melhorou e recebeu alta, mas é um alerta não só para os jovens, mas para todos os tabagistas”, alerta o pneumologista.