Axe e prosa

Axe e prosa Pagina voltada para o publico de religião matriz africana

Ori Je nà Pà ba (Aquele que dá vida e saúde às nossas cabeças também pode nos castigar com a morte)O sí e to bò wa lè (N...
08/02/2021

Ori Je nà Pà ba (Aquele que dá vida e saúde às nossas cabeças também pode nos castigar com a morte)
O sí e to bò wa lè (Nós te adoramos até a hora da morte pois vós nos acompanha até depois dela)
Ori Je nà Pà ba (Aquele que dá vida e saúde às nossas cabeças também pode nos castigar com a morte)
O sí e to bò wa lè (Nós te adoramos até a hora da morte pois vós nos acompanha até depois dela)

ONIRA NÃO É ORIXÁ NEM TEM CULTO DISTINTO NEM AQUI NEM ÁFRICA ! Por que eu digo sempre como assim Onira não é Oya, Sobre ...
02/02/2021

ONIRA NÃO É ORIXÁ NEM TEM CULTO DISTINTO NEM AQUI NEM ÁFRICA !

Por que eu digo sempre como assim Onira não é Oya, Sobre Onira não ser Oya?? Onira é um título assim como a maioria das ditas qualidades de Òrìşà no Brasil ou se trata de um título ou de um lugar específico da onde veio o culto daquele Òrìşà exemplo Ijimu é um local.. conclusão desse fato Òşun Ijimu é só pra identif**ar que o culto dela veio de lá... Onira assim como Onire são títulos dos reis e rainhas de ambas as cidades Ire que hoje tem o nome de Abeokuta e Ira cidade de Origem de Oya... o atual rei de Ira tem o título de Onira!!

Mulher da foto elegun de oya “ observem o nome do templo esse templo que f**a na cidade de Ira (Abeokuta)

O homem de branco na 2 foto e o atual rei de Ira
O oba também é conhecido como Onira tem hoje 56 anos de idade. embora muitos falem que ele tem uma forte influencia muçulmana, resgatou novamente o culto de Oya para a cidade de Irá.

Texto:Luan Pedro & Heitor Muniz Manter crédito plágio é crime !

Traduzido _ isso não é lenda é história real:

"Antigamente não havia problema algum em vestir Oyá de vermelho. Hoje é tudo Rosa Choque ou Rosa chiclé. Vermelho é um t...
22/01/2021

"Antigamente não havia problema algum em vestir Oyá de vermelho. Hoje é tudo Rosa Choque ou Rosa chiclé. Vermelho é um tabu enoooorme.

Antigamente, Acarajé era frito no Dendê. Hoje tem Acarajé no azeite doce pra não queimar Oxalá. (???)

Antigamente, a cada ano completado de feitura o orixá aprendia atos diferentes. Hoje você vê Iaô de Oyá despachando a porta e Santo velho dançando cantiga-farofa e pedindo pra parar porque está cansado.

Antigamente, o Rum era 21 cantigas, cada um com seus atos. Hoje é 7 cantiga arroz com feijão e olhe lá.

Hoje não se vê mais dança de guerra de Oxum e Obá.

Não se vê mais o foribale de Oyá pra Xangô, não se vê mais Oxumarê procurar hunjeve no barracão.

Mas qualidade da qualidade o povo manda ver...

É um tal de Onira que come no bambuzal, Onira que afunda o akarajé na água, Onira que come vatapá na pororoca... Onira que se veste de Oxum e Oxum que se veste de Oyá...

Hoje em dia orixá vem de bombacha, só falta dançar catira e tomar chimarrão.

O bom tradicional adê de latão desapareceu.
Hoje é tudo arame cromado com lantejoulas e pedras e mais pedras (isso quando não é de "prástico".

Hoje Omolu vem cheio de falsos dentes de plástico, comprados na 25 de março. Parecem porco-espinho.

Os ibirís de Nanã eram de nervura de palha e Búzios. Hoje vem com borboletinhas kuti kuti.
Até o Candomblé virou simplesmente Blé ! As coisas mudam...

Hoje o povo fuma dentro do Ronko, e os mais velhos ensinam o truque.

Oyá de rosa

Abian de rechilie

Logum Edé que sempre foi Oboro, hoje é uma mistura de Isabelita dos Patins com Pablo Vittar
"Antigamente não havia problema algum em vestir Oyá de vermelho. Hoje é tudo Rosa Choque ou Rosa chiclé. Vermelho é um tabu enoooorme.

Antigamente, Acarajé era frito no Dendê. Hoje tem Acarajé no azeite doce pra não queimar Oxalá. (???)

Antigamente, a cada ano completado de feitura o orixá aprendia atos diferentes. Hoje você vê Iaô de Oyá despachando a porta e Santo velho dançando cantiga-farofa e pedindo pra parar porque está cansado.

Antigamente, o Rum era 21 cantigas, cada um com seus atos. Hoje é 7 cantiga arroz com feijão e olhe lá.

Hoje não se vê mais dança de guerra de Oxum e Obá.

Não se vê mais o foribale de Oyá pra Xangô, não se vê mais Oxumarê procurar hunjeve no barracão.

Mas qualidade da qualidade o povo manda ver...

É um tal de Onira que come no bambuzal, Onira que afunda o akarajé na água, Onira que come vatapá na pororoca... Onira que se veste de Oxum e Oxum que se veste de Oyá...

Hoje em dia orixá vem de bombacha, só falta dançar catira e tomar chimarrão.

O bom tradicional adê de latão desapareceu.
Hoje é tudo arame cromado com lantejoulas e pedras e mais pedras (isso quando não é de "prástico".

Hoje Omolu vem cheio de falsos dentes de plástico, comprados na 25 de março. Parecem porco-espinho.

Os ibirís de Nanã eram de nervura de palha e Búzios. Hoje vem com borboletinhas kuti kuti.
Até o Candomblé virou simplesmente Blé ! As coisas mudam...

Hoje o povo fuma dentro do Ronko, e os mais velhos ensinam o truque.

Oyá de rosa

Abian de rechilie

Logum Edé que sempre foi Oboro, hoje é uma mistura de Isabelita dos Patins com Pablo Vittar

Santo de Ketu não chega no aguere

Zambele Zambele não chama santo de Oboró de todos os presentes

Ogum de faquinha do rocambole Pullman

O Ijexá virou Timbalada

Uma militância p***a, falsas ideologias aliados a uma geração leite com pêra.... o resultado e esse.

Essa foto diz tudo sobre antigamente.! Umas simples pessoas tentando fazer o melhor pra nossa religião. Que saudades dos tempos antigos.

O candomblé chora , pede pra parar com tanta patifaria!!!!!!

O candomblé chora!!!! Vamos refletir sobre isso.
Ayra virou Xangô

Santo de Ketu não chega no aguere

Zambele Zambele não chama santo de Oboró de todos os presentes

Ogum de faquinha do rocambole Pullman

O Ijexá virou Timbalada

Uma militância p***a, falsas ideologias aliados a uma geração leite com pêra.... o resultado e esse.

Essa foto diz tudo sobre antigamente.! Umas simples pessoas tentando fazer o melhor pra nossa religião. Que saudades dos tempos antigos.

O candomblé chora , pede pra parar com tanta patifaria!!!!!!

O candomblé chora!!!! Vamos refletir sobre isso.

20 fatos sobre os filhos de Òsógìyan/Oxalá/Oxalufon1. A guerra sempre está perto deles. Não importa se estão longe de co...
20/01/2021

20 fatos sobre os filhos de Òsógìyan/Oxalá/Oxalufon

1. A guerra sempre está perto deles. Não importa se estão longe de confusão, a confusão vem sempre até eles.
2. Nunca perdem uma batalha.
3. São excelentes amigos.
4. Muito temperamentais.
5. São arrogantes.
6. Estrategistas natos.
7. Sofrem dores de cabeça.
8. Sentem irritação o tempo todo.
9. Falam pelos cotovelos.
10. Vivem de cara fechada e com a sobrancelha sempre franzida e/ou a testa enrugada.
11. Sempre estão certos no que falam.
12. São sedutores.
13. Não tem tendência a engordar muito.
14. São excelentes trabalhadores, dedicados e caprichosos.
15. São leais, mas quando traídos, são os piores inimigos.
16. Ganham no bate boca contra qualquer outro filho de santo.
17. Tem grande dom espiritual.
18. Muitos são ogãs.
19. Adoram estudar, sempre estão na frente dos demais quando o assunto são as informações sobre qualquer gênero.
20. Tem grande proteção espiritual. São sinceros, prodígios, possuem uma verbalização feroz e tem um ar autoritário e andam sempre com o queixo levantado olhando por cima dos outros, mas possuem um coração maravilhoso.

Epi Epi Babá, Òsógìyan! 🕊🐚🐌
AXÉ!

📝Texto de_Thau Ãn
Fatos do Axé

Boa noite  com alegrias CANDOMBLÉ É PRÁTICA !Ninguém abre casa lendo Pierre Verger.Ninguém aprende fundamento observando...
17/10/2020

Boa noite com alegrias CANDOMBLÉ É PRÁTICA !
Ninguém abre casa lendo Pierre Verger.
Ninguém aprende fundamento observando as pinturas de Carybé.
Ninguem reza um encantado lendo whatszapp. Ninguém raspa um yao seguindo instruções da internet .
Ninguém tira ebó com listas do Google .
Livro nenhum vai ter a mesma força de yawo/abiã quando senta para aprender com as palavras dos mais velhos.
Nenhum ebó tem mais resultado do que aquele que você já passou e já ajudou seu zelador a fazer .
Nosso livro sagrado é a oralidade e isso é o que temos de mais preciso. A teoria é linda, porém nossas praticas são insubstituíveis.
Candomblé se faz no terreiro, não na internet.
Axé.
Ótima e abençoada sexta-feira a todos .

🌻🌻🌻Roda de Osun🌻🌻🌻01.Iya mi ile e e,O oro oooIya bo bo laseIyamin sa ra ma bo oiyeIya mi ile,O oro oooIya a pon, ada dju...
01/10/2020

🌻🌻🌻Roda de Osun🌻🌻🌻

01.
Iya mi ile e e,O oro ooo
Iya bo bo lase
Iyamin sa ra ma bo oiye
Iya mi ile,O oro ooo
Iya a pon, ada dju eru
E e tan, iya a pon omo lore
Iya a pon, olobomin
O iyamin oiyare
Iya lode abebe
O iyamin oiyare
Iya olode abebe
Iya mi ile e e O oro ooo
Iya bo bo lase
Iyamin sa ra ma bo oiye
Dide dide modi mama modba ase
Dide dide modi mama modba ase
A a ma gue djo o asa ko loi lo
Oni gue gue omi gue dan
E mo di mi ma boiyeo oja
Ola yeyeo moiloni moi lola
Ayamim olorum olo mu eledá

02.
Yeyeo bi o bio osun oo
Yeyeo bi o bio osun oo
Yeyeo ta ni ma kwa run boni boreleo
Osum ta ni ma kwa run boni lê peo
A runbo yeyeo yeyeo oo
Yeyeo ta ni ma kwa run boni lê peo
Imorele balaa bi ka reo
Yeyeo ta ni ma kwa run boni lê peo
Imorele balaa bi ka reo
Osum ta ni ma kwa run boni lê peo
Kare moju yeye ...

03.
Pwe ro mi abebe osun
pwe ro mi abebe eledá
pwe ro mi abebe osun
pwe ro mi abebe eledá
Iya iju mu da ka eledá
pwe ro mi abebe osun....

04.
O uró wele wele wele o uró
Alade yeyeo ooo
O uró wele wele wele o uró
Alade yeyeo ooo
A juba komo olorum
O uró wele wele wele o uró
A juba komo olorum
O uró wele wele wele o uró
Alade yeyeo ooo....

05.
Se ku se, yeyeo mire
Se ku se, yeyeo mire
E beri orum
Yeyeo mire iya mi oo
Yeyeo mire
Yeyeo se ku se
Yeyeo mire
Se ku se yeyeo mire
Yeyeo mire
E berio orum....

06.
Io lore o i lolo ki lolo
Yeyeo de ogun lê ti omi
ebo run aui lewi orisa ni abe
e ni ma mode re re ye a as wo
e gorun un abe orisa ni abe
e ni ma mode re re
ye a sa wo e gorun un abe….

07.
Aribé de o,omi ro
Ara awa ,ara awa o
Omi o
Aribé de o,omi ro
Ara awa ,ara awa o
Omi o
Aribé de o,omi ro
Ara awa ,ara awa o
Omi o
Ori dé ko mo l’orun,omi ro
Ara awa ,ara awa
Omi o

08.
Igbá awo
Igbá si osun a rewà
Igbá awo
Igbá si osun a rewa
Àwa sìn é ki igbá rewà rewà
Igbá awo Igbá si osun a rewa

09.
Omi níwè ma t’osun
Omi níwè
Omi níwè ma t’osun
Omi níwè
Séké Séké séké náà dò ojú
Náà dò ojú
Omi níwè

10.
Ara wara Miywá
Ara wara Miywá
Amadè ire eiyn ooo
Ara wara Miywá
Amadè ire eiyn ooo

11.
Osun iyá omio
Osun sola ni fun mi
Erun odo
Já sun layó
Já so onan
Iya ogerè

12.
Ye ye omi bio
Ye ye omi bio
Ikan isolá
Waro waro
Opará omi ooo

13.
Kare ri de
Asé ni layo
Kare ri de
Asé ni layo
Arawa omi jé jé
Kare ri de
Asé ni layo

14.
Ma bo iyá
Iyá bo iyá
Ma bo iyá
Iyá bo iyá
Omi jé jé Ominibú
Ma bo iyá
Iyá bo iyá

15.
Asé mo rewá
Asé mo rewá
Asé mi olosun
Asé mo rewá
Asé mi Ypondá
Asé mo rewá
Asé mo rewá

16.
Ekio ekio ori yeye
Ekio ekio ori yeye
Ekio ekio ori yeye

17.
Kotá alafia
Kotá alafia
Olurum sire male
Kotá alafia
Kotá alafia
Olurum sire male

18.
Iyá asó oluwo
Iyá asó oluwo
Ibayin ma bo osun
Iyá asó oluwo oo
Asé ni babá
Iyá asó oluwo

19.
Iyá ki eledumare
Iyá ki eledumare
Oni mó je okan
Oni bó jô
Iyá ki eledumare
Oni mó je okan
Oni bó jô

20.
O ni iyá beere
O ni iyá beere o
O ni iyá beere o
O ni iyá bè l’òpò omo imã
Osun a dé omo wa

28/09/2020

Boa tarde meu nome e Heitor para outros Dofono D' Omolu devido a pandemia estou pedindo a todos amigos familiares e família de santo um contribuição para realizar a festa no nosso rei Omolu. Devido a pandemia para nossa segurança e dos demais estou fazendo vitual nosso *Sabeje*

Mais do que isso, o Sabejé que é realizado sempre em prol do Olubaje de uma iniciação, representa também a submissão e o sacrifício em nome do orixá no entanto muitas pessoas não sabem que antigamente muitos filhos de orixá (santo) saiam as ruas para pedir dinheiro para poder fazer o olubajé que é uma das festas do candomblé com maior colaboração externa e representa um banquete para todos os Orixás e seres humanos.

Cabe situar que no candomblé o Orixá Omolu é a própria terra, tudo Ele dá e tudo Ele recebe de volta, durante todo o ano, toda a vida, toda a eternidade e existência

*Podemos contar com sua colaboração ?*

*Não importa quantidade e o que seja o que vale e a intenção candomble e União e juntos somos mais forte*

Era uma senhora já de muita idade,Seu nome era Maria da PazMas para todos que perguntavamEla sorria com a boca quase sem...
21/09/2020

Era uma senhora já de muita idade,
Seu nome era Maria da Paz
Mas para todos que perguntavam
Ela sorria com a boca quase sem dentes
E diz "Eu sou Paizinha...".
Paizinha...
Vivia sozinha em um barraco minúsculo
Aqui na zona norte de São Paulo
Em uma favela perto de casa.
Eu a conheci em uma festa de Cosme e Damião,
Ela gostava de ir nos terreiros
E eu sempre esbarrava com ela.
Neste dia meu acompanhante teve
De sair mais cedo
E eu acabei sozinho na festa
E do meu lado estava sentada dona Paizinha.

👵— Festa bonita não é?
Ela quis puxar assunto
E eu falador como sou dei corda
E nós dois papeamos por horas.
No fim da festa ela se foi
E a mãe de Santo da casa, dona Carmem
Veio até mim e contou
👩— Sabe ela? Ela foi uma grande mãe de Santo nos anos 70, tinha um terreiro muito famoso, até celebridade frequentava, f**ava lá pros lados de Jaçanã quando aquilo era um lugar esmo. Coitada, hoje não tem ninguém.

Fiquei muito curioso
Pois como era possível
Que uma Mãe de Santo tão ilustre
Acabasse a vida daquele jeito?
Sozinha em um barraco de chão
De terra batida.
Umas semanas depois
No Akará de Iyansa eu a encontrei novamente
Dona Paizinha sentada em uma cadeira
La no canto do terreiro
Cantando e aplaudindo
Com feitio de encanto.
Eu fui até lá e sentei com ela.

👦— Dona Paizinha eu fiquei sabendo que a senhora é Mãe de Santo.
👵— Eu? Eu não meu filho, um dia eu fui sim, eu fui... Mas eu não sou mais nada não...
👦— Não é? Porque?
👵— Ah...Foi Marabô, é... Marabô me tirou tudo.

Eu quis saber mais mas naquele dia
Ela não quis contar mais nada.
Eu sou muito curioso
Então fui até seu Leopoldo,
Uma velho batuqueiros do terreiro
Que estava lá desde a época da fundação
E perguntei sobre Paizinha.

👴— Ah... ela era Mãe Paizinha, era muito cheia a casa dela sabe.
👦— Sei... mas como ela acabou assim?
👴— Ah meu filho sabe esse povo todo que se diz Pai de Santo? A maioria não é nada, na verdade é um ou outro que tem o dom. Paizinha era Mãe de Santo de verdade, tinha o Exu mais bonito que eu ja vi nessa vida.
👦— Era Marabô?
👴— Era sim, Exu Marabô... Paizinha era casada, o marido era serralheiro sabe, ele não gostava de macumba mas conforme a fama de Paizinha ia crescendo a ganância dele crescia junto, ele gostava do dinheiro. Marabô você sabe, todo mundo que ja ouviu esse nome sabe que é entidade de lei, é muito poderoso e muito regulado as suas maneiras, então tinha dia que ia gente na casa de Paizinha pra ver Marabô mas ele não descia, deixava o povo lá esperando e não vinha de jeito nenhum, ele só rodava na cabeça de Paizinha quando era necessário e não por besteira. Mas um dia aqueles italianos donos da fábrica de tinta, os Matarazzo sabe? A esposa de um deles veio com a bolsa cheia de cruzeiros pra pagar pra ver Marabô.
👦— E Marabô não veio?
👴— Não veio. isso quem me contou foi a própria Paizinha, o marido dela cresceu o olho no dinheiro da mulher e mandou paizinha vestir a roupa de Marabô e ir fingir que era ele na sala.
👦— E ela fez isso?
👴— Fez, ela foi lá e fez. Hoje o povo chama de ekê ou de marmotagem, mas na época a gente dizia "mistif**ação", ela fez isso, fez mistif**ação fingindo ser Marabô.
👦— E o que aconteceu? Marabô castigou ela?
👴— Pior que não, ele veio uns dias depois e disse que entendia e que perdoava o erro, ele sabia que na época quando o marido mandava a mulher obedecia, então não castigou Paizinha, mas deixou claro que aquilo nunca mais poderia acontecer. Só que... ganância é uma coisa triste, e Paizinha fez de novo, e de novo e de novo.
👦— E ela não tinha medo?
👴— Ela acostumou a ser perdoada, achou que podia fazer Marabô de palhaço. Sabe, Marabô teve muita paciência, e até mandou ela encerrar as atividades do terreiro e fechar a casa ja que não tomava jeito, veja só, ele deu muita chance pra ela, mas ela quis testar até o fim. A mistif**ação é um tipo de palhaçada que rende muito dinhero sabe, um dia entrou tanto dinheiro que o marido dela comprou uma Brasília azul assim ó, pagou a vista, e saiu pelo bairro exibindo o carro. Mas Marabô já tinha dado todas as chances, e como todo mundo que planta colhe, Marabô veio e fez o que tinha que fazer
👦— O que ele fez?
👴— O marido de Paizinha vinha a toda pela avenida Tucuruvi, chegou na em cima da ladeira ele desceu e de repente o carro não tinha mais freio, e a Brasília meteu-se inteira na frente de um ônibus. Sabe como uma coisa incrível? Ninguém do ônibus teve um arranhão, mas a Brasília ficou foi destruída, o estrago era muito maior do que a velocidade real teria feito, parece até que alguma coisa empurrou o carro sabe? E o marido de Paizinha morreu ali.
👦— E ela? Tomou jeito?
👴— Sim mas ja era tarde, pouco tempo depois a casa dela pegou fogo, foi um curto que deu na fiação da serralheria sabe, ela acabou vendendo o terreno e comprou um novo lá pelo itaim, um terreno grande e a bom preço, mas era golpe, o cara que vendeu era vigarista e quando o verdadeiro dono do terreno apareceu ela saiu com uma mão na frente e outra atrás, o restinho que sobrou fez o barraco que mora até hoje e vive de aposentadoria sozinha.
👦— Então Marabô destruiu a vida dela mesmo.
👴— Não meu filho, não, nem Marabô nem vento nenhum invade a vida das pessoas a destrói elas, são as pessoas que fazem isso consigo mesmas. Pense bem, se ela tivesse respeitado Marabô ele teria dado troco? Se ela não queria andar na linha ele deu até a chance dela deixar tudo pra lá e viver em paz, esquecer religião e ir trilhar outros caminhos, mas ela é que não quis. Marabô não é Cristo para dar a outra face, com ele aqui se faz aqui se paga, então porque fez? A vida de Paizinha ela mesma afundou quando achou que tinha o direito de zombar de Marabô.

Pensei muito no que ele disse.
Anos depois em uma festa de Padilha
Na casa de uma outra mãe de Santo
Da mesma região,
Eu fui e quando chego lá
Dou de cara com Paizinha.
Lá estava ela sentada no fundo
Balançando as pernas por ser tão baixinha
Que ao sentar os pés não tocavam o chão.
Cumprimentei e fui falar com as entidades
Mas dali a pouco o inimaginável acontece,
O salão todo se cala quando
Uma gargalhada rouca ecoa,
Quando olhei para trás lá vinha
Dona Paizinha com a coluna ereta
E a postura firme,
Era ele sim, era Marabô.
Fazia mais de vinte anos que ele não vinha
E agora estava lá.
Não sei de onde tiraram um paletó
Um chapéu e calças
E o vestiram,
Aquele pitoco de pessoa
Se ainda era pequeno
Mas a presença era inconfundível,
Exu Marabô.
Era um Exu de comportamento diferente
Era um das antigas sabe?
Cumprimentava batendo as costas
Das mãos nas dos outros,
Andava meio torto
Com todos aqueles trejeitos
Que hoje em dia as entidades
Ja não usam mais.
Ele não quis dar consulta
Não quis f**ar de papo,
Apenas dançou a festejou.
No meio da madrugada,
Quando a festa ainda
Estava longe do fim
Ele pediu para os tambores pararem
E cantou

💀— Ogun mandou bola de fogo pra mandar Exu embora, é hora é hora mas ele vai embora..."

A principio não entendi
Não fazia sentido ele se despedir
No meio da festa,
Mas as entidades começaram
A engrossar o coro
Cantando junto
E uma a uma
Todas as pombagiras e Exus
Foram até ele o abraçaram.
Dali a pouco ele foi embora
E Paizinha foi para casa sozinha
Muito antes da festa acabar,
Disseram que estava passando mal
Ou coisa do tipo.
Quando ja estava para o festejo acabar
Padilha veio e me disse

🌹— Marabô veio encerrar a questão com aquela mulher. Tudo o que é dívida tem de ser pago, mas nenhum castigo é eterno e nenhum erro é sem perdão. Nunca mais veremos Marabô daquele jeito, é para nunca mais.

Não entendi
Demorei a pescar a informação
Que ela tentou passar.
Era pra lá de sete da manhã
Quando eu fui pra casa,
E para chegar tinha de passar
Em frente a entrada da favela,
E lá estava uma multidão
Em pleno sábado de manhã,
A ambulância na porta do barraco
Da velha dona Paizinha.
A ambulância estava com as portas abertas,
Ninguém dentro.
Perguntei a vizinha o que estava acontecendo
E ela disse que dona Paizinha
Havia passado mal
E quando a ambulância chegou
Já não havia o que fazer.
Ambulância não leva cadaver,
Eles foram embora
E o carro da perícia chegou
Quando já passava do meio dia.
Dona Paizinha morreu em paz
E hoje raros são os que se lembram dela,
É como se nunca houvesse existido.
Mas eu me lembro.
Marabô veio uma última vez
E deu a ela... paz.
Não sei o que aconteceu
Naquele último momento
Entre dona Paizinha e Exu Marabo,
Mas qualquer um que visse
Seu rosto no momento derradeiro
Veria que ela estava finalmente em paz.

Lá no meio da multidão encontrei Leopoldo
Que apoiado em sua bengala observava tudo
No mais mudo silêncio.
👦— Marabô matou ela? Foi isso que aconteceu? — eu quis saber transbordando de curiosidade.
👴— O quê? Não meu filho, não mesmo. Paizinha ja tava era virando a curva, tinha quase noventa e ainda vivendo desse jeito precário... ela morreu porque tinha de morrer, era a hora.
👦— Então porque ele veio nela na festa?
👴— Para dar o perdão final e se despedir. Sabe menino, a gente acha que entende as coisas dos espíritos, mas só eles sabem os caminhos que trilham. Muita gente vai querer falar muita coisa, mas só quem sabe do que realmente aconteceu é Paizinha e Marabô, e agora ela já não pode falar mais nada a respeito.

E assim se encerrou mais uma jornada.
Porque eu contei está história?
Me pediram que contasse algo de Exu Marabô, e entre tantos contos e histórias mirabolantes eu apenas quis contar essa que é a mais simples, mas é uma memória verdadeira.

O ENTERRO DO PAI DE SANTOEla se converteu iansã não! Ela tinha apenas nove anos quando foi tomada pela força de Iansã. F...
19/09/2020

O ENTERRO DO PAI DE SANTO
Ela se converteu iansã não!

Ela tinha apenas nove anos quando foi tomada pela força de Iansã. Franzina ainda, corpo de menina. Tornava-se mulher ao som dos atabaques, dançando lindamente, flutuando com as mãos ao vento, espantando as forças nefastas, limpando o terreiro com seus brados de axé. Seu pai, o babalorixá, já tinha mais de 40 anos quando a mãe a entregou antes de sair pelo mundo.
Era a filha, a herdeira. Era seu maior orgulho. E cresceu feliz com todas as outras crianças do terreiro. Sob o cuidado das velhas, suas tias, a quem dedicava respeito e obediência. O pai a preparava, era rígido, às vezes até exagerava. Era um amor, um dengo, mas não era fácil, não. E ela não contestava, era uma boa filha, era seu maior orgulho.
Na lida do candomblé ela cresceu. Estudou, se formou, foi trabalhar. O terreiro estava bem estruturado e exercer uma profissão lhe dava um grau de liberdade que a rigidez do ritual nem sempre permitia. Como o pai já estava envelhecendo, passou a casa para o nome da filha, que nessa altura já andava de namoro com um rapaz da vizinhança.
Um dia chega pro pai e conta que está grávida. O pai resistiu à ideia de casamento: “cuido de você e do meu neto”, mas ela estava apaixonada. Foi uma linda festa, com a certidão do cartório e a bênção dos orixás. Nasceu o neto e vieram os problemas: o marido não queria ouvir falar de candomblé, afastando a esposa e o filho do terreiro.
Para desgosto do velho pai de santo, já com quase 70 anos, a família se converteu. A filha tão querida, sua herdeira, regida por Iansã, tornara-se evangélica. Mesmo com todo o apoio da comunidade, com o carinho dos filhos e filhas de santo e da velha tia, a única que sobrara forte apesar dos mais de 80 anos, o pai de santo não conseguiu suportar. Entregou-se à tristeza, à dor e sucumbiu com um tumor no estômago.
A morte era esperada, mas o terreiro estava em choque. Quando a primeira quartinha foi emborcada, um misto de angústia e dúvida pairou como névoa: “O que será de tudo isso? O que será de nós?” Preocupações necessárias. Com a herdeira e única filha afastada, a continuidade do terreiro estava em xeque.
A velha tia tomou a frente. Reteve o choro, escondeu a dor e delegou a função de cada um: “vai chorando e vai fazendo”. O corpo chegou e antes mesmo que fosse tirado do carro funerário, a filha cruzou o portão feito um raio, dura, irascível: “pode parar!”, gritou secamente. “Aqui não vai ter velório nenhum”. Os filhos de santo se revoltaram, os orixás se manifestaram, a vizinhança parou. A velha tia se manteve calma, não moveu os olhos, não franziu uma ruga.
A filha não vinha só, trazia o marido, o filho, o advogado, o pastor e os irmãos da igreja. Nem eram tantos, o pessoal do terreiro até podia resistir, mas ela tinha a escritura e a lei a seu favor. O velho pai morreu dizendo: “você pode conhecer sua filha, mas você não sabe com quem ela vai casar”.
Discutiram, negociaram e chegaram a um acordo: a filha não tocaria no corpo e o povo do terreiro entregaria a chave e consentiria o velório no cemitério. Não era o que recomendava a tradição em se tratando de um babalorixá daquela estatura, mas os atos religiosos já estavam feitos e seria uma vergonha ver a filha colocar aquele terno preto no pai que viveu e morreu aos pés do orixá. A velha tia ponderou: “é melhor assim”. Seguiram para o cemitério municipal.
A filha prostrou-se ao lado do féretro e recebia com frieza e certo desdém os cumprimentos do povo do axé. Até os pais e mães de santo que a viram crescer, pessoas que vieram da Bahia, do Rio de Janeiro para se despedir daquele homem tão querido. Os vizinhos que conheciam bem aquela história e lamentavam a morte de um grande líder que sempre ajudou a todos.
A morte era triste, mas não era nada comparada àquela situação. Um velho amigo tentou fazer uma homenagem. “Aqui não vai ter cantoria”, repreendeu a filha. Meia hora antes do enterro, o padre passou para oferecer seus préstimos, ela o escorraçou. Mesmo depois de horas ao lado do caixão, continuava incólume, sem derramar uma lágrima.
Inconformados, os filhos de santo não acreditavam que depois de tanto esforço e luta para manter uma comunidade, tudo acabaria daquela forma. A velha tia seguia estática, num transe triste, introspectivo.
Chegou a hora do enterro. A filha chamou os irmãos da igreja, mas antes que pudessem pegar nas alças do caixão, as mãos fortes de seis ogans do terreiro o fizeram. A filha pensou em gritar, mas quando a voz da velha tia entoou o cântico, os ogans entenderam seu olhar e ergueram o caixão aos ombros. Um vento se desprendeu do vácuo, a filha rodopiou num giro abrupto e sentiu a força de Iansã. Em um segundo, uma multidão toda de branco tomou cada espaço.
Vieram todos os orixás, mas Iansã seguiu na frente. Sacudindo os braços, tremendo os ombros e abrindo caminho para o cortejo com sua rama de folhas de peregun. As tias da Bahia comentaram entre si:
– Oxe, mas ela não se converteu?
– Ela se converteu, mas Iansã não!
E aquele povo de branco, aquele tapete de paz e co***lo, tomou conta das alamedas. Iansã se pôs na beira da sepultura, e quando o caixão bateu na terra, soltou seu brado estridente: “Hei...”, e também suas lágrimas, as lágrimas que sua filha tanto segurou.
O corpo retornou à terra, a multidão deu as costas e a vida seguiu. A filha despertou do transe, mas já não conteve a tristeza. A velha tia juntou-se a ela. Choraram juntas.
– Bênção, minha mãe.
– Ô, minha filha, que pai Oxóssi te abençoe.
– Aqui tá a chave e a escritura. Vou em casa me trocar e já lhe vejo no terreiro.
– Vai, minha filha, vai que tem muito trabalho pela frente.
O marido tentou intervir, mas depois daquele olhar só teve coragem pra dizer: “vai, bem, deixa que eu tomo conta do pequeno”.
Ela se converteu iansã não.

Eparrey!!!🦋❤

Credito : Rodney William Eugênio

O que é o Candomblé para a Senhora?O Candomblé é o meu empoderamento. É a minha posse, é a minha vida, é a fonte em que ...
19/09/2020

O que é o Candomblé para a Senhora?

O Candomblé é o meu empoderamento. É a minha posse, é a minha vida, é a fonte em que eu bebo a minha água a qualquer momento, é a luz dos meus olhos, é o som que eu ouço, é o canto dos pássaros, é o lamento das nossas crianças, do morro, da periferia, dos homossexuais. É a minha estrada, é a encruzilhada em que nasci, é o rio do Recôncavo, da Cachoeira do Paraguaçu. É a fome que passei quando criança, a boneca que eu não tive o direito de ter. O Candomblé me deu oportunidade para tudo isso. É a minha cultura, a minha vida. Meu pai me tirou do colégio quando eu estava no terceiro ano, porque filha dele não aprendia a ler para não fazer bilhete e mandar chamar homem para atrás da casa. Eu aprendi a ler com papel velho, do lixo. Então o Candomblé para mim é isso, é a minha cultura, é o sangue do meu corpo.

— Mãe Beata de Yemọja em entrevista a Lázaro Ramos para o programa Espelho, em 21 de setembro de 2015.

[A foto foi tirada pelo renomado fotógrafo Yasuyoshi Chiba durante uma entrevista concedida por Mãe Beata à Agence France-Presse em 16 de maio de 2017 no Ilé Omiojúarò, em Miguel Couto - RJ. Mãe Beata viria a falecer 11 dias depois dessa entrevista.]

# Publicado por Carlos Wolkartt em 28 de agosto de 2020, às 14h.

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