03/05/2026
🚨SEGUNDO A PF, IRMÃO DE FURLAN TINHA CHAVE BANCÁRIA DA PREFEITURA E AUTORIZOU PAGAMENTOS DE R$ 3,3 MILHÕES NO DIA DO AFASTAMENTO
José Furlan Neto, então secretário de Governo, usou credencial para pagar empresas horas após decisão judicial que afastou o ex-prefeito
Macapá-AP - As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Paroxismo revelaram que José Furlan Neto, irmão do ex-prefeito Antônio Furlan e então secretário municipal de Governo, possuía chave bancária da Prefeitura de Macapá e a utilizou para autorizar pagamentos milionários em contexto considerado atípico pelos investigadores.
Segundo a Polícia Federal, no mesmo dia em que foi determinado o afastamento de Antônio Furlan e de integrantes da cúpula da gestão municipal, foram realizados pagamentos sem autorização da gestão interina. As operações identificadas são R$ 819.330,69 pagos à empresa M2 Comunicação Ltda. e R$ 2.494.237,88 pagos à empresa Top Construções e Serviços Ltda., totalizando R$ 3.313.568,57, todos executados com uso da chave bancária vinculada a José Furlan Neto.
A Polícia Federal aponta que os pagamentos ocorreram poucas horas após a decisão judicial que afastou o então prefeito, levantando suspeitas de tentativa de escoamento acelerado de recursos públicos. O contexto das operações apresenta múltiplas irregularidades, incluindo emissão de notas fiscais às pressas, liquidação acelerada de despesas e ausência de autorização do prefeito interino.
Para os investigadores, os fatos podem configurar crimes de peculato, fraude em contratos públicos, desobediência a ordem judicial, lavagem de capitais e tentativa de obstrução das investigações.
O caso não se restringe aos pagamentos. As investigações apontam ainda para invasão de setores estratégicos da prefeitura, retirada de HDs do setor de licitações, queda de sistemas internos e dificuldades de acesso a dados financeiros e administrativos após o afastamento — elementos que indicam possível tentativa deliberada de ocultar provas.
O processo faz referência a um possível desvio de valores que pode chegar a dezenas de milhões de reais em contratos ligados à construção do Hospital Geral de Macapá. A gravidade dos fatos motivou o ministro Flávio Dino, do STF, a prorrogar os afastamentos por tempo indeterminado, condicionando o retorno dos investigados ao desaparecimento dos riscos às investigações.