25/05/2026
PALANQUE OCULTO
Rádios contratadas pela Prefeitura de Canoinhas entram na mira do Ministério Público
Promotoria analisa spots, contratos e possível uso da comunicação pública para promoção pessoal.
Esta é a oitava reportagem da série Palanque Oculto, do Portal da Cidade. A série explica, em linguagem simples, os principais pontos de um relatório de 746 páginas do Ministério Público sobre contratos de comunicação da Prefeitura de Canoinhas.
O documento apura se dinheiro público destinado à divulgação de atos oficiais teria sido usado, em tese, para promoção pessoal e política da então prefeita Juliana Maciel Hoppe, no período anterior à eleição
Nesta reportagem, o foco são os contratos com emissoras de rádio.
Segundo o relatório, o Município de Canoinhas firmou, entre 2025 e 2026, 13 contratos relacionados à prestação de serviços de radiodifusão. A análise do MP aponta que esses contratos tiveram origem em três procedimentos de contratação.
Na prática, o serviço contratado envolvia a veiculação de spots de rádio. Spot é uma mensagem curta, geralmente usada para divulgar avisos, campanhas, atos públicos ou informações institucionais.
O Ministério Público cita contratos com rádios de Canoinhas e de outros municípios da região. Entre as empresas mencionadas no relatório estão Rádio Pantera (Massa FM), Fundação Expansão Cultural Rádio e TV Canoinhas (98 FM), Rádio Clube de Canoinhas, Rádio Major Vieira, Rádio FM Fronteira (106 FM), Rádio Papanduva, Rádio Planalto de Irineópolis e Rádio Cidade de Itaiópolis.(hj outro nome)
Um dos pontos analisados é a quantidade de inserções contratadas. O relatório menciona editais com previsão de 700 spots mensais e 500 spots mensais, conforme o tipo de contratação.
Para o MP, a dúvida não está apenas no número de spots. A Promotoria quer saber qual conteúdo foi ao ar, quem produziu os roteiros, quais mensagens foram enviadas pela Prefeitura e se houve comprovação real da veiculação.
O relatório aponta que, em um dos termos de referência, caberia ao Setor de Comunicação e Imprensa da Prefeitura definir a frequência, os horários preferenciais e a distribuição dos temas a serem veiculados.
Esse ponto é importante porque mostra que a investigação não se limita aos portais de notícia. Segundo o MP, a comunicação por rádio também pode ter sido usada dentro da mesma lógica investigada na série: transformar divulgação institucional em reforço de imagem política.
Outro ponto questionado pelo Ministério Público envolve diferenças entre editais e contratos. O relatório aponta que, em determinados casos, o edital falava em divulgação de atrativos turísticos e eventos de Canoinhas, mas os contratos teriam objeto mais genérico, voltado à divulgação de atos da administração pública municipal.
Em linguagem simples, o MP quer saber se a Prefeitura contratou um serviço com uma justificativa e depois executou outro tipo de conteúdo.
O relatório também menciona que houve processos de contratação anulados e novos contratos assinados pouco depois. Para a Promotoria, essa sequência precisa ser esclarecida.
Além disso, o MP questiona critérios usados para distribuir a veiculação entre rádios. Em um trecho do relatório, é citada uma divisão de inserções entre rádios de classes diferentes, com percentuais de 60% e 40%. A Promotoria vê nesse ponto possível risco de direcionamento ou reserva de mercado.
Para a população, a pergunta central é simples: os contratos com rádios serviram para informar o cidadão sobre atos públicos ou ajudaram a ampliar a imagem política da então prefeita na região?
Para responder isso, o Ministério Público requisitou documentos e provas. Entre os pedidos estão cópias dos spots de rádio, gravações das inserções realizadas e todo material de imprensa enviado pela Prefeitura às rádios contratadas.
A apuração segue em andamento.
Na próxima reportagem da série Palanque Oculto, o Portal da Cidade vai mostrar por que o Ministério Público questiona a contratação de veículos de comunicação de outras cidades.
Fonte portal da cidade canoinhas sc