10/04/2023
Dagoberto foi um dos indígenas do Alto Rio Negro que se tornaram antropólogos pelo histórico programa de cotas para povos originários na pós-graduação do PPGAS-UFAM. Apareceu no Equívoco 11 - A sociedade indígena é atrasada, da série Índio Presente, produzida pela Cambará.
Com intenso pesar e dor, o Instituto Socioambiental (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) comunicam o falecimento do doutor em antropologia social Dagoberto Lima Azevedo, do povo Tukano, nome tradicional Suegʉ.
Casado com Helena Marques, povo Piratapuya, ele deixa as filhas Adele, de 6 anos, e Ruthiene, de 7 meses.
Grande conhecedor da cultura de seu povo e sempre generoso em compartilhar saberes, Dagô, como era carinhosamente chamado, nasceu em Pirarara-Poço, no rio Tiquié, e era assessor e analista de pesquisa e desenvolvimento socioambiental do Programa Rio Negro, do ISA, em São Gabriel da Cachoeira (AM).
Dagoberto faleceu na comunidade de São Felipe, onde participava de uma oficina de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs), trabalho que exercia com alegria e dedicação.
Ele defendeu sua tese de doutorado em novembro no ano passado, na Ufam, apresentando a primeira pesquisa escrita totalmente na língua Tukano.
As malocas físicas e cosmológicas do Tiquié perdem um de seus maiores conhecedores.
Sua família, parentes e amigos sentirão imensa falta.
* 6/11/1979
+ 8/4/2023