29/06/2022
CACHOS
A minha vida toda, ouvi pessoas falarem sobre cabelo cacheado. E não são coisas boas. Falavam-me para pentear o cabelo ou lavar direito, porque, aparentemente, sempre tinha algo errado com ele.
Eu, como a pessoa de sorte que sou, fui o único a nascer com cabelos cacheados na minha família. Minha irmã dizia que nem precisávamos de vassoura em casa, já que meu cabelo poderia substituir uma. E quando meu cabelo acordava cheio, então? ''O tempo está para chuva.'' Era o que minha mãe dizia.
Eu pensava que odiava meu cabelo, assim como quase todo mundo. Alisei, para tentar escapar disso tudo. Mas aí, eu me perguntei: o que eu acho sobre ele? E a resposta foi boa. Eu gosto quando ele f**a cheinho; gosto dos fios retorcidos, que me lembram de molas. Dá até para colocar coisas nele! Cabelo multiuso, eu diria (eu mesmo me saboto, e tudo bem, né).
As vezes, nós acordamos brigados, - sim, eu estou falando de mim e do meu cabelo - eu tento ajeitar, mas ele insiste em f**ar todo torto. Ignorando esse pequeno detalhe que me tira a paciência, nós até que convivemos muito bem. Não é ''um bicho sete cabeças'' como muita gente diz. Então, depois de muitos anos tendo isso como minha maior insegurança, hoje, digo que adoro essa coisa que mora na minha cabeça.
Autora da crônica: Ana Clara Vargas Fhynbeen – 1 A
Proposta no componente de língua portuguesa.
Professora Daniele W. de Andrade.