22/12/2025
Hospital Universitário: solução real ou maquiagem para um problema que Mariana nunca resolveu?
Por Redação – Portal Últimas Notícias
Desde 2016, Mariana convive com a promessa de implantação de um hospital universitário. A ideia, à primeira vista, parece moderna, progressista e até necessária. No entanto, quando se analisa a realidade da saúde pública do município, surge uma pergunta incômoda — e que raramente é feita: Mariana está preparada para um hospital universitário ou está apenas tentando maquiar um problema estrutural que nunca foi resolvido?
📍 A realidade da saúde em Mariana
Hoje, Mariana não consegue garantir o básico da assistência em saúde. Mesmo contando com o Hospital São Camilo e a rede de pronto atendimento, a cidade segue dependente de transferências para Belo Horizonte em casos mais graves.
Infartos, AVCs, politraumas e cirurgias de alta complexidade não encontram resposta adequada dentro do próprio município. Na prática, o atendimento se resume a estabilizar o paciente e torcer para que haja vaga e tempo hábil para a transferência.
Essa é a realidade concreta — dura, mas inegável.
🏫 Afinal, o que é um hospital universitário?
Um hospital universitário é, antes de tudo, um ambiente de ensino.
Ele existe para:
Formar estudantes de medicina e da área da saúde
Treinar médicos residentes
Desenvolver pesquisa acadêmica
O atendimento é realizado por alunos e residentes sob supervisão de médicos experientes. Isso não é ilegal, nem antiético. Pelo contrário: faz parte do processo de formação médica.
O problema surge quando esse tipo de hospital passa a ser tratado como solução para um sistema de saúde que já não funciona.
❗ O que quase ninguém fala sobre hospital universitário
Existe um ponto que raramente aparece nos discursos oficiais: hospital universitário não é, por definição, hospital de alta complexidade.
Ele não nasce para ser:
Centro de trauma pesado
Referência em cardiologia intervencionista
Polo de neurocirurgia de urgência
Em cidades com rede de saúde forte, o hospital universitário complementa o sistema.
Em cidades com rede frágil, como Mariana, ele corre o risco de substituir aquilo que nunca foi estruturado.
🧪 População vira “cobaia”?
Tecnicamente, não.
Na prática, a situação é mais delicada.
Quando não há alternativas reais de atendimento, a população acaba sendo atendida majoritariamente por estudantes e residentes, não por escolha, mas por falta de opção. Isso não signif**a irresponsabilidade, mas revela uma distorção: o cidadão deixa de ser prioridade e passa a ser parte do processo de formação.
Esse modelo pode funcionar bem em capitais e grandes centros. Em cidades que não conseguem sequer manter especialistas fixos, o risco é transformar a exceção em regra.
🚨 O perigo da maquiagem institucional
O maior risco do hospital universitário em Mariana não é ele existir.
É ser usado como vitrine política, enquanto:
Faltam UTIs bem equipadas
Faltam cardiologistas 24h
Faltam protocolos eficientes de emergência
Falta gestão integrada com hospitais de referência
Cria-se a sensação de avanço, enquanto o problema central permanece intocado.
❓ Hospital universitário resolve o problema de Mariana?
A resposta honesta é: não, sozinho não resolve.
Sem uma base sólida de saúde — emergência, especialidades, UTI e gestão — o hospital universitário não muda o destino de quem infarta, sofre um AVC ou chega politraumatizado.
A lógica continua sendo a mesma: estabiliza-se o paciente e corre-se contra o tempo rumo a Belo Horizonte.
🧠 Conclusão
Hospital universitário não é vilão.
Mas também não é milagre.
Quando implantado antes da resolução do básico, ele corre o risco de se tornar uma maquiagem sofisticada para uma ferida antiga.
Mariana não precisa apenas de prédios novos ou discursos modernos. Precisa de estrutura, profissionais, gestão e prioridade no que realmente salva vidas
Enquanto isso não for enfrentado de forma direta e honesta, qualquer novo projeto corre o risco de ser apenas mais uma promessa bonita sobre uma realidade que insiste em não mudar.