Neotropical Ichthyology

Neotropical Ichthyology Neotropical Ichthyology is a peer-reviewed scientific journal of the Brazilian Society of Ichthyology (Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI). A.

Scope: Neotropical Ichthyology is an International Forum to divulge and discuss the results of original researches on the diversity of marine, estuarine and freshwater Neotropical fishes. Impact Factor: 0.763
Cite Score: 2.9

http://www.scimagojr.com/journalsearch.php?q=16796225&tip=iss&exact=yes%3E

ISSN 1679-6225 - printed version
ISSN 1982-0224 - online version

Frequency: Four issues per year. Areas of interest: Biology, Biochemistry and Physiology, Ecology, Ethology, Genetics and Molecular Biology, Systematics. Information Services:
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Copyright: All content of the journal, except where identified, is licensed under a Creative Common BY license (Attribution). Sponsors: Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Editor in Chief: Carla S. Pavanelli (NUPELIA/UEM). Publishing Editor: Vinícius de Araújo Bertaco (MCN)

Science Communication Editor: Natália Carneiro Lacerda dos Santos (UESC)

Social Media Editor: Igor C. Souto-Santos (MNRJ)

Video Editor: Kalebe S. Pinto (INPA)

-Section Editor in Biochemistry and Physiology: Bernardo Baldisserotto (UFSM). -Associate Editor: Juan Miguel Mancera Romero (Universidad de Cádiz).

-Section Editor in Biology, Ecology and Ethology: Fernando Meyer Pelicice (UFT). -Associate Editors: Ana Cristina Petry (UFRJ); Andrea Bialetzki (UEM/Nupélia); Carmen G. Montaña (North Carolina State University); Caroline Chaves Arantes (West Virginia University); David J. Hoeinghaus (University of North Texas); Eliane Gonçalves de Freitas (UNESP); Elizete Rizzo Bazzoli (UFMG); Emili García-Berthou (University of Girona); Fernando Zaniolo Gibran (UFABC); Francisco Gerson Araújo(UFRRJ); Franco Teixeira de Mello (Universidad de la Republica); Jorge Guimarães da Costa Eiras (Universidade do Porto); Lilian Casatti (UNESP); Paulo dos Santos Pompeu (UFLA); Rosemara Fugi (UEM/Nupélia).

-Section Editors in Systematics, Genetics and Molecular Biology: Brian Sidlauskas (Oregon State University); Osmar Luiz (Charles Darwin University); Toby S. Daly-Engel (Florida Institute of Technology); William Crampton (University of Central Flora). -Associate Editors: Alexandre Wagner Silva Hilsdorf (UMC); Carlos Luis DoNascimiento Montoya (Instituto Alexander von Humboldt); Claudio Oliveira (UNESP); Fernando Rogério de Carvalho (UFMS); George Mendes Tagliaferro Mattox (UFSCar); Gloria Arratia (KU Biodiversity Institute & Natural History Museum); Guillermo Ortí (George Washington University); Hernán Lopéz-Fernández (Royal Ontario Museum); Jennifer Wyffels (University of Delaware); Juan Marcos Mirande (Fundación Miguel Lillo – CONICET); Lisa B. Whitenack (Allegheny College); Marcelo Melo (USP); Marcelo Ribeiro de Britto (Museu Nacional, UFRJ); Matthew A. Kolmann (University of Michigan); Michael Maia Mincarone(UFRJ); Paulo Henrique Franco Lucinda (UNT); Priscila Camelier (UFBA); Shannon Corrigan – Florida Museum of Natural History, University of Florida, USA. Editorial Advisory Board:
Biology and Ecology: Kirk O. Winemiller (Texas A&M University). Genetics: Jonathan M. Wright (Dalhousie University)/
Molecular Systematics: Axel Meyer (University of Konstanz)/
Physiology and Biochemistry: David Randall (City University of Hong Kong)/
Systematics: Luiz R. Malabarba (UFRGS), Stanley H. Weitzman (National Museum of Natural History, Smithsonian Institution). Assistant Editors: Alessandro Gasparetto Bifi (INPA); Anielly Galego de Oliveira (UEM); Carolina Santos Vieira (UFRGS); Emília Welter Wendt (UFRGS); Flávia de Figueiredo Petean (Universidad Nacional de La Plata); Isabel Soares (ICMBio); Juliano Ferrer dos Santos (UFRGS); Oscar Pelaez Zapata (UEM); Priscila Madoka Miyake Ito (UFRGS); Rafaela Priscila Ota (INPA); Renata Rúbia Ota (UEM); Silvana de Melo (UNESP). Reference Librarians: João Fábio Hildebrandt and Maria Salete Ribelatto Arita (UEM/Nupélia). Cover Design/Layout and Art: Carlos Alexandre Venancio – Sinergia Casa Editorial.

12/09/2026

🐟🌊Importância dos afluentes na reprodução e conservação de peixes em bacias antropizadas

Em uma bacia hidrográfica muito impactada pela ação humana, onde os peixes encontram lugares para se reproduzir? Será que os tributários, muitas vezes vistos como cursos d’água menores, podem ser essenciais para manter as populações de peixes? 🤔

Neste estudo, pesquisadores investigaram a importância dos tributários para a reprodução dos peixes na bacia do rio das Velhas, um importante afluente do rio São Francisco. Entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023, foram coletados ovos e larvas de peixes em seis tributários com diferentes níveis de conservação 🔬🐠.

As análises identificaram 36 táxons, incluindo todas as espécies migradoras conhecidas da bacia. Ovos e larvas foram encontrados em todos os tributários, com predominância de estágios iniciais de desenvolvimento.

Os tributários mais preservados e com maior vazão, especialmente os rios Paraúna/Cipó e Curimataí, apresentaram as maiores densidades de ictioplâncton e foram locais exclusivos de reprodução de algumas espécies migradoras de longa distância. Os picos de reprodução estiveram relacionados aos pulsos de cheia do rio das Velhas 🌧️🌊.

🌎 Os resultados mostram que tributários preservados funcionam como importantes áreas de reprodução e recrutamento. Manter a conectividade entre os rios é fundamental para garantir esses processos, e a conservação do rio Paraúna/Cipó é especialmente importante diante de ameaças como a poluição e a possível fragmentação dos rios.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0126/

Autores: Paulo Santos Pompeu, Fábio Mineo Suzuki, Ivo Gavião Prado, Andressa Mendes Silva-Sene, Daniel Cardoso Carvalho, Heron Oliveira Hilário e Carlos Bernardo Mascarenhas Alves.

Reprodução Ictioplâncton Conservação Rios BaciaDoRioDasVelhas SãoFrancisco Ecologia

11/09/2026

🐟🌿 Como as espécies invasoras ameaçam os ecossistemas?

A biodiversidade não está apenas no número de espécies. Peixes com características diferentes podem ocupar papéis distintos no ecossistema, enquanto espécies parecidas podem desempenhar funções semelhantes. Mas como essa diversidade funcional está organizada em um rio? 🤔🌊

Neste estudo, pesquisadores investigaram a diversidade funcional da comunidade de peixes do rio Amacuzac, na bacia do Balsas, no México. Foram analisadas 17 espécies a partir de 19 características relacionadas à alimentação, posição na coluna d’água, habitat, capacidade de natação, filtração e demanda energética 🔬🐠.

Os pesquisadores identificaram oito grupos funcionais, formados por espécies com características ecológicas semelhantes. Quatro desses grupos eram compostos por apenas uma espécie, enquanto o grupo mais diverso reunia cinco espécies.

A diversidade funcional também variou entre os locais estudados. O trecho localizado mais a jusante apresentou a maior diversidade funcional. Além disso, espécies nativas e não nativas apresentaram diferenças em suas características e funções ecológicas 🌎.

🌎 O estudo mostra que avaliar apenas a riqueza de espécies pode não ser suficiente para compreender a biodiversidade de um rio. A diversidade funcional ajuda a revelar como diferentes peixes contribuem para o funcionamento dos ecossistemas e pode ser uma ferramenta importante para avaliar os efeitos das espécies não nativas e das mudanças ambientais.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0196/

Autores: Gabriel Cordero-Martínez, Norman Mercado-Silva, Ilse J. Ortega-Martínez, Sandra García de Jesús e Juan Suárez-Sánchez.

Ecologia EcologiaDeRios TraçosFuncionais PeixesNativos EspéciesNãoNativas México

08/09/2026

🐟🧬 Como mudanças antigas separam populações de peixes?

Os rios da América do Sul passaram por grandes mudanças durante as oscilações climáticas do Pleistoceno. Períodos de conexão e isolamento entre bacias podem ter deixado marcas no DNA dos peixes. Mas será que essas mudanças do passado ainda podem ser percebidas entre rios que hoje estão muito próximos? 🤔🌊

Neste estudo, pesquisadores investigaram a história evolutiva de *Hypostomus ancistroides*, um cascudo da bacia do alto Paraná. Foram analisados três segmentos do DNA mitocondrial de indivíduos de diferentes sub-bacias, com destaque para a bacia do rio Cinzas, no sul do alto Paraná, onde uma linhagem distinta é predominante 🧬🐠.

Os resultados indicaram que a diversificação das linhagens ocorreu durante o Pleistoceno. Mesmo entre sub-bacias vizinhas, a distribuição das linhagens foi bastante diferente, com uma linhagem particularmente predominante no rio Cinzas.

As análises também apontaram para diferentes níveis históricos de conexão entre os rios, além de possíveis rotas distintas de colonização e áreas onde ocorreu captura de cabeceiras. Esses processos podem ter contribuído para moldar a distribuição atual da diversidade genética da espécie 🔬🌎.

🌎 O estudo mostra que a história dos rios pode ser muito mais complexa do que sua geografia atual sugere. Eventos climáticos e mudanças na conexão entre sistemas fluviais podem ter deixado sinais duradouros na diversidade genética dos peixes, mesmo em sub-bacias atualmente próximas.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0142/

Autores: Caroline Apolinário-Silva, Roberta C. Clemente, Ana J. C. Marques, Maria V. H. Rodrigues, Thais Kotelok-Diniz, Wilson Frantine-Silva, Amanda A. Moreira, Bruno A. Galindo, Augusto S. Zanatta, Carlos E. G. Aggio, Dyego L. F. Caetano, Lenice Souza-Shibatta, Silvia H. Sofia e Dhiego G. Ferreira.
Roberta Caroline
Camila Apolinário
Ferreira
Ana Cardoso
Bruno Galindo
Wilson Frantine
maria.vitoria019
Silvia Sofia
Lenice Souza-shibatta

Carlos Aggio
zanatta_augusto
Thais Kotelok Diniz

03/09/2026

🐟💧 Poluição muda a alimentação dos peixes?

A poluição dos rios pode alterar a qualidade da água e reduzir a diversidade de organismos que servem de alimento para os peixes. Mas o que acontece com a alimentação quando, além da poluição, o rio também é modificado pela canalização? 🤔🌊

Neste estudo, pesquisadores investigaram como a poluição e o tipo de curso d’água afetam os recursos alimentares de Basilichthys microlepidotus, um peixe de água doce da bacia do rio Maipo, no Chile. Foram avaliadas comunidades de macroinvertebrados, conteúdo estomacal e isótopos estáveis de carbono e nitrogênio em quatro locais, naturais e canalizados, poluídos e não poluídos 🔬🐠.

Os resultados mostraram que os locais poluídos apresentaram menor diversidade de macroinvertebrados e alimentos com menor valor nutricional, com menos calorias e lipídios. Nos canais artificiais, a qualidade dos recursos também foi menor, embora sua distribuição fosse mais diversificada.

Mesmo com essas mudanças, a condição corporal dos peixes não foi afetada. A espécie apresentou preferência por gastrópodes da família Physidae, enquanto os isótopos estáveis indicaram mudanças na composição da dieta em áreas poluídas, sem alteração da posição trófica 📊.

🌎 O estudo mostra que os impactos humanos podem modificar não apenas a quantidade, mas também a qualidade dos alimentos disponíveis nos rios. Compreender essas mudanças é fundamental para avaliar os efeitos da poluição e da canalização sobre as redes alimentares e para orientar o manejo de ecossistemas de água doce.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0141/

Autores: Matías Briones, Jorge Cortés-Miranda, Claudio Veloso, David Véliz e Caren Vega-Retter. Jorge

ÁguaDoce EcossistemasAquáticos Dieta Macroinvertebrados IsótoposEstáveis Chile

02/09/2026

🐟📏 Como o corpo de uma raia muda ao longo da vida?

As raias de água doce do gênero *Potamotrygon* apresentam grande diversidade de formas e coloração. Mas será que suas proporções corporais permanecem iguais durante o crescimento? E machos e fêmeas crescem da mesma maneira? 🤔

Neste estudo, pesquisadores investigaram os padrões de crescimento de *Potamotrygon motoro*, uma das raias de água doce neotropicais de distribuição mais ampla. Foram analisados 91 indivíduos, em diferentes estágios de desenvolvimento, considerando 25 medidas corporais 🔬📐.

Os resultados mostraram diferenças importantes entre os sexos. A largura das nadadeiras pélvicas e a distância entre os olhos apresentaram padrões de crescimento distintos em machos e fêmeas.

Mas a principal diferença apareceu nos machos: os clásperes, estruturas relacionadas à reprodução, crescem muito mais rapidamente durante a fase juvenil. O clásper externo chega a crescer cerca de 3 vezes mais rápido que o corpo, enquanto o interno cresce aproximadamente 1,85 vez mais rápido 📈🐠.

🌎 O estudo mostra que as proporções corporais de *P. motoro* mudam ao longo do desenvolvimento e podem variar entre os sexos. Compreender esses padrões é importante para a identificação e delimitação de espécies de *Potamotrygon*, especialmente em um gênero com ampla distribuição e grande variação de coloração.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0028/

Autores: Júlia Papalardo Azevedo, Thiago Silva Loboda e Veronica Slobodian.

Potamotrygon Morfometria Alometria DimorfismoSexual Ictiologia

17/08/2026

🐟🧬 Bagre é tudo igual? Os cromossomos ajudam a responder essa pergunta!

Identificar espécies nem sempre é uma tarefa simples. Em alguns grupos de peixes, diferenças na aparência nem sempre correspondem às diferenças genéticas, levantando dúvidas sobre quantas espécies realmente existem 🔍🐠. Mas será que os cromossomos podem ajudar a esclarecer esse quebra-cabeça? 🤔

Neste estudo, pesquisadores investigaram três espécies do grupo Ageneiosus ucayalensis — A. dentatus, A. intrusus e A. ucayalensis — utilizando técnicas de citogenética clássica e molecular para comparar sua organização cromossômica 🧬. O objetivo foi verificar se diferenças nos cromossomos poderiam fornecer evidências para distinguir essas espécies, cuja classificação já vinha sendo questionada por estudos morfológicos e de DNA.

Os resultados mostraram que as três apresentaram exatamente o mesmo número de cromossomos (2n = 56), a mesma estrutura cariotípica e padrões muito semelhantes de heterocromatina e de genes ribossomais 📊. Além disso, não foram encontradas evidências de rearranjos cromossômicos recentes, indicando uma arquitetura cromossômica altamente conservada entre elas.

Esses resultados reforçam estudos anteriores que já haviam encontrado pouca diferenciação entre essas espécies com base em características morfológicas e em sequências de DNA. Embora cromossomos semelhantes, por si só, não comprovem que se trata da mesma espécie, o conjunto das evidências aponta para a necessidade de revisar a taxonomia desse grupo de bagres 🐟📚.

🌎 O estudo demonstra como a integração entre citogenética, morfologia e genética molecular é fundamental para compreender a diversidade dos peixes amazônicos e construir uma classificação mais precisa, essencial para pesquisas sobre evolução, ecologia e conservação.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0163/

Autores: Sandro Tonello, Natália L. Lira, Esteban D. Koch, Daniel R. Blanco, Eliana Feldberg, Roberto L. Lui e Josiane B. Traldi.

Taxonomia Evolução Bi

16/08/2026

🐟🌡️ Mudanças climáticas ameaçam peixe migrador da bacia Paraná-Paraguai!

A mudança do clima pode transformar os rios onde vivem os peixes, alterando a temperatura da água e as condições ambientais necessárias para sua sobrevivência. Mas o que pode acontecer com espécies migradoras, que dependem de grandes trechos dos rios para completar seu ciclo de vida? 🤔🌊

Neste estudo, pesquisadores investigaram como diferentes cenários de mudanças climáticas podem afetar a distribuição potencial de Megaleporinus obtusidens, conhecido como piapara ou piava, uma espécie migradora de longa distância da bacia Paraná-Paraguai. Para isso, combinaram diferentes modelos de distribuição de espécies e variáveis climáticas e hidrológicas para identificar as áreas atualmente adequadas e os possíveis refúgios climáticos no futuro 🔬🐠.

Os resultados mostram que atualmente quase metade da bacia apresenta condições favoráveis para a espécie. A amplitude térmica diária e a ordem dos rios foram os fatores que mais contribuíram para explicar sua distribuição. Porém, as projeções para o futuro são preocupantes: no cenário mais pessimista, a área climaticamente adequada pode diminuir 46,9% até 2050 e 88,0% até 2090 📉🌡️.

Com o avanço das mudanças climáticas, os locais favoráveis à piapara ficarão cada vez mais restritos. No cenário pessimista para 2090, os principais refúgios climáticos estarão concentrados em trechos superiores de tributários da margem esquerda do alto Paraná e em partes do canal principal do rio Paraná. As perdas de áreas adequadas serão muito maiores que os possíveis ganhos.

🌎 O estudo destaca a vulnerabilidade dos peixes migradores às mudanças climáticas e mostra a importância de proteger os refúgios climáticos identificados. Garantir a conservação desses ambientes pode ser fundamental para manter populações de M. obtusidens e a biodiversidade dos grandes rios da bacia Paraná-Paraguai.

📄 Leia o artigo completo em: Neotropical Ichthyology

Autores: Beatriz Cristina de Paula de Souza, Luana Caroliny Possamai, Katia Yasuko Yofukuji, Taise Miranda Lopes, Luiz Fernando

12/08/2026

🐟🌿 Como as pastagens afetam as redes alimentares dos peixes de riachos?

As mudanças no uso da terra, como a expansão da agropecuária, estão entre as principais ameaças aos ecossistemas de água doce 🌎💧. Mas será que essas alterações também mudam a forma como os peixes interagem e compartilham seus recursos alimentares? 🤔

Neste estudo, pesquisadores analisaram redes tróficas de assembleias de peixes de riachos brasileiros, reunindo informações de estudos realizados entre 1982 e 2021 🇧🇷. O objetivo foi investigar como diferentes formas de uso da terra ao redor dos riachos, especialmente áreas de pastagem e agricultura, influenciam a estrutura das redes alimentares.

Os pesquisadores avaliaram métricas que descrevem a organização das redes tróficas, como modularidade, aninhamento, conectividade e especialização alimentar 🐠🕸️. De forma geral, as redes apresentaram maior aninhamento do que modularidade, indicando que espécies especialistas tendem a compartilhar parte de seus recursos com espécies mais generalistas.

Embora o uso da terra, de forma geral, não tenha alterado significativamente essas métricas, um padrão importante chamou a atenção: o aumento da cobertura por pastagens reduziu a modularidade das redes tróficas 🌱➡️🌾. Isso significa que as interações alimentares se tornam menos organizadas em grupos distintos, refletindo uma simplificação do ecossistema e uma maior predominância de espécies generalistas.

Curiosamente, a proporção de áreas agrícolas não apresentou efeito significativo sobre a estrutura das redes alimentares, sugerindo que diferentes tipos de uso da terra podem impactar os riachos de maneiras distintas.

🌎 O estudo mostra que a expansão de pastagens pode simplificar as interações ecológicas em riachos brasileiros, reduzindo a importância de espécies especialistas e tornando as redes alimentares mais homogêneas. Compreender essas mudanças é essencial para conservar a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas aquáticos.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0149/

Autores: Dianne M. A. S

09/08/2026

🐟🌿 Nem todo herbívoro come só algas!

Os peixes-cirurgião estão entre os principais herbívoros dos recifes de coral, desempenhando um papel essencial no controle das algas e na manutenção do equilíbrio desses ecossistemas 🌊🪸. Mas será que espécies tão parecidas se alimentam da mesma forma? E como a anatomia pode revelar diferenças na dieta desses peixes? 🤔

Neste estudo, pesquisadores compararam três espécies de peixes-cirurgião do Banco dos Abrolhos, o maior complexo recifal do Atlântico Sul: Acanthurus bahianus, A. chirurgus e A. coeruleus. Para isso, analisaram características da cabeça, da boca, dos dentes, dos ossos das mandíbulas, do trato digestório e também o conteúdo do estômago dos indivíduos, buscando entender como a morfologia está relacionada à alimentação 🐠🔬.

Os resultados mostraram que A. bahianus e A. chirurgus compartilham características muito semelhantes. Ambas as espécies possuem estômagos musculosos, semelhantes a uma moela, adaptados ao consumo de detritos, e apresentaram uma dieta rica nesse recurso. Já A. coeruleus apresentou mandíbulas mais robustas, ausência desse tipo de estômago e características típicas de uma espécie especializada em remover algas diretamente do substrato 🌿.

No entanto, a análise da dieta revelou uma surpresa: todas as espécies consumiram mais detritos e invertebrados do que estudos anteriores haviam indicado, enquanto a proporção de algas foi menor. Até mesmo A. coeruleus, considerada mais herbívora, ingeriu muito mais detritos do que se imaginava.

🌎 O estudo mostra que pequenas diferenças na anatomia refletem estratégias alimentares distintas e reforça que os detritos podem ter um papel muito mais importante na alimentação dos peixes-cirurgião do que se acreditava. Esses resultados ajudam a compreender melhor o funcionamento dos recifes e a importância ecológica desses herbívoros.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0166/

Autores: Adriana Hiromi Yukimitsu Boo Adriana Yukimitsu Bonfim , Ronaldo Bastos Francini-Filho, Rodrigo Leão de Moura, Gustavo Muniz Dias, Bruna Larissa Maganhe Bruna Maganhe e Fernando Zaniolo

04/08/2026

🐟🌊 Onde os peixes de corredeira vão viver diante da perda de habitat?

Os rios amazônicos abrigam uma enorme diversidade de peixes, muitos deles restritos a ambientes de correnteza intensa, como corredeiras e pedrais 🌿💧. Mas a construção de hidrelétricas, hidrovias e outras alterações nos rios pode comprometer a sobrevivência dessas espécies especializadas. Afinal, como esses impactos afetam sua diversidade genética e seu futuro? 🤔

Neste estudo, pesquisadores investigaram a genética populacional de três espécies reofílicas do gênero Baryancistrus — B. longipinnis, B. niveatus e Baryancistrus sp. "Araguaia" — na bacia Araguaia-Tocantins, um dos principais centros de endemismo de peixes da Amazônia 🇧🇷. Utilizando milhares de marcadores genômicos obtidos por ddRADseq, a equipe avaliou como a paisagem e as alterações ambientais influenciam a conectividade e a diversidade genética dessas espécies.

Os resultados revelaram baixa diferenciação genética entre as populações, indicando que ainda existe conectividade entre elas. No entanto, fatores ambientais como turbidez da água, declividade do rio e qualidade da vegetação ripária exerceram forte influência sobre os padrões genéticos, especialmente em B. niveatus 🌊🧬.

A situação mais preocupante foi observada em B. longipinnis, que apresentou baixa diversidade genética, altos níveis de endogamia e sinais de erosão genética ⚠️. Além disso, análises indicaram evidências de redução populacional nas três espécies, provavelmente associada à perda e fragmentação de habitats causada pelas transformações nos rios amazônicos.

🌎 O estudo alerta que a conservação dos ambientes de corredeira é essencial para garantir o futuro desses peixes altamente especializados. Os resultados também destacam o Pedral do Lourenço como uma área prioritária para a conservação de B. longipinnis, reforçando a importância de proteger esse importante refúgio da biodiversidade amazônica.

📄 Leia o artigo completo em: https://www.ni.bio.br/1982-0224-2025-0148/

Autores: Marina Gomes Leonardo, Éder Cristian Malta de Lanes, Felipe A***n de Andrade A

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Maringá, PR

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