10/05/2026
Neste Dia das Mães, eu não queria fazer apenas uma postagem de parabéns.
Queria fazer uma postagem de reconhecimento.
Reconhecimento das mães que amam, cuidam, sustentam, enfrentam jornadas exaustivas e, muitas vezes, seguem sendo cobradas como se maternar devesse acontecer sem ambivalência, sem cansaço e sem necessidade de apoio.
Queria reconhecer também que, no Brasil, falar de maternidade não deveria ser apenas falar de amor e entrega, mas também de direitos, proteção e dignidade. A Constituição assegura especial proteção à família, à maternidade e à infância, e entre as conquistas importantes estão o direito da gestante a acompanhante de livre escolha no trabalho de parto, parto e pós-parto, além de políticas públicas voltadas ao cuidado materno e ao aleitamento.
Mas eu também queria reconhecer algo que ainda precisa ser mais legitimado socialmente:
família não existe de um jeito só.
Nem toda família é composta por pai, mãe e filhos dentro de um modelo idealizado e normativo. Existem muitas formas de vínculo, cuidado, responsabilidade e amor.
Eu mesma vivo uma experiência que atravessa essa complexidade: sou mãe e também madrasta de dois enteados. E sei que as famílias reconstituídas muitas vezes carregam estigmas, silenciamentos e julgamentos, como se apenas alguns arranjos familiares fossem dignos de reconhecimento.
Não são.
Cuidar também é construir família.
Vincular-se também é construir família.
Sustentar presença, afeto e responsabilidade também é construir família.
Que o Dia das Mães possa ser, sim, uma data de homenagem.
Mas também de ampliação de olhar.
De reconhecimento das lutas.
De defesa de direitos.
E de respeito à pluralidade das maternidades e das famílias.
Maternidade não precisa caber em um molde para ser legítima.
E família não precisa seguir um padrão para ser real.
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