27/05/2026
Tem artista que esquece sua terra para ganhar o mundo. Dorgival Dantas fez diferente e levou Olho d’Água do Borges junto. Na sanfona, na voz mansa e num jeito de escrever como quem conversa na calçada, ele fez do amor, da saudade e do xote uma forma de apresentar o Rio Grande do Norte ao Brasil.
Filho de sanfoneiro, Dorgival cresceu ouvindo a música como quem aprende uma língua de casa. Depois virou cantor, compositor, produtor, arranjador e uma das assinaturas mais reconhecidas do forró. Muita gente talvez nem saiba, mas já cantou Dorgival em algum momento da vida.
São dele canções como “Você Não Vale Nada”, que estourou nacionalmente na voz da Calcinha Preta e entrou na trilha de Caminho das Índias; “Pode Chorar”, gravada por Jorge & Mateus e também associada ao repertório de Aviões do Forró; além de “Destá”, “Eu Não Vou Mais Chorar”, “Amor Covarde”, “Coração”, “Por quê?”, “Declaração” e tantas outras que passaram de palco em palco, de festa em festa, até virarem memória popular.
Seu caminho também se conta pelos encontros. Dorgival teve músicas gravadas ou dividiu cena com nomes como Flávio José, Xand Avião, Solange Almeida, Jorge & Mateus, César Menotti & Fabiano, Wesley Safadão, Taty Girl, Waldonys, Tarcísio do Acordeon, João Gomes, Eliane, Limão com Mel e muitos outros. Em discos e projetos como O Homem do Coração, Sanfona e Voz, Simplesmente Dorgival, Minha Música Nossa História e o recente Raízes, sua obra foi ganhando forma de cancioneiro.
Hoje, reconhecido como embaixador do turismo potiguar e Doutor Honoris Causa pela UERN, Dorgival chega a um lugar bonito: o de quem fez sucesso sem desmanchar o chão de onde veio. Sua música viajou longe, mas nunca perdeu o sotaque.
— A coluna Potiguares sai às quartas, sempre com o perfil de um potiguar com atuação relevante no que se propõe a fazer.