11/09/2026
Um relatório da Polícia Federal aponta suspeitas sobre a relação entre o ministro Dias Toffoli, do STF, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O principal ponto é um fundo chamado Arleen, que recebeu pelo menos R$ 35 milhões de Vorcaro. Segundo a PF, existem elementos que levantam a possibilidade de Toffoli ser o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo. Posteriormente, cerca de R$ 34 milhões foram transferidos para uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
O Arleen tinha participação no resort Tayayá, ligado a Toffoli e sua família. Em 2025, o fundo passou para o empresário Alberto Leite, apontado pela PF como amigo de Toffoli, e depois os ativos foram transferidos para o exterior.
A PF também encontrou mensagens que levantam suspeitas sobre a atuação de Vorcaro em um julgamento de precatórios do setor sucroalcooleiro. Em conversas, o banqueiro afirmou que “Toffoli virou o voto” e que estava “tratando” do assunto. O relatório, porém, ressalta que as informações ainda não permitem conclusões definitivas e precisam de aprofundamento.
Os investigadores também identificaram encontros, ligações e contatos frequentes entre Toffoli e Vorcaro, além de relações profissionais entre o banqueiro e Roberta Rangel, então esposa de Toffoli, que atuava como advogada de Vorcaro.
A PF enviou o relatório ao STF, mas afirma que não conseguiu aprofundar algumas linhas de investigação porque ministros do Supremo possuem regras especiais para serem investigados.
Toffoli nega as acusações. Seu gabinete afirma que ele nunca teve recursos no exterior, nunca realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas, não recebeu dinheiro de Vorcaro e nega ter tido relação de amizade ou intimidade com o banqueiro.