02/06/2026
Essa casa não é qualquer casa.
É a casa onde eu nasci. Onde minha infância aconteceu entre falta, briga e silêncio pesado. Onde eu aprendi cedo demais que nem todo lugar de origem é sinônimo de paz.
Foi ali que minha mãe viveu seus dias. Foi ali que eu vi ela pela última vez dentro da rotina comum da vida, sem saber que aquele seria um dos últimos capítulos dela na minha história.
E foi ali também que eu desci um dia para o corredor e encontrei meu pai morto.
Não tem como romantizar isso. Não tem como “superar com facilidade”. Não tem como transformar esse endereço em memória leve.
As pessoas dizem “volta lá, entra, enfrenta”. Como se fosse só um imóvel parado no tempo.
Mas aquela casa não parou.
Ela ficou presa em mim.
Por isso eu não volto.
Não é medo de ver nada sobrenatural, não é frescura, não é falta de coragem como muitos querem chamar.
É que aquele lugar não é mais casa.
É um arquivo vivo de tudo o que mais me quebrou e me formou ao mesmo tempo.
E eu sigo vivendo com isso do lado de dentro.
Meus pais não estão mais lá.
Mas tudo o que aconteceu… ainda está em mim.
Porque o problema não é a casa.
O problema é tudo o que aconteceu dentro dela. ❤️🩹