19/01/2026
O curtume não é um lugar de conforto.
É um espaço onde o corpo entra em confronto direto com a matéria.
Antes de se tornar couro, existe peso, resistência e tempo.
Sal lançado sobre a pele ainda crua, lâminas que exigem precisão, mãos que conhecem o ponto exato entre força e controle. Nada aqui é automático. Nada acontece sem consequência.
O ambiente carrega marcas visíveis do uso contínuo: paredes gastas, chão manchado, ferramentas simples. O que se transforma ali não é apenas a matéria-prima, mas a relação entre território, sobrevivência e permanência. O couro guarda as marcas do animal, do lugar e de quem o transforma.
Essas imagens não buscam suavizar o processo. Elas existem para mostrar o que permanece quando não há encenação apenas o fazer. Um saber que resiste porque ainda é essencial. Um trabalho que continua acontecendo longe do discurso, sustentado pelo corpo, pelo tempo e pela repetição.
Fotografia e texto
Rodrigo Fonseca