18/08/2026
A gente ainda estava vivendo hoje a despedida de Laura Cardoso, que morreu ontem à noite, quando veio mais essa.
Glória Menezes também se foi.
Duas despedidas desse tamanho praticamente de uma vez. Hoje é um dia muito triste para a dramaturgia brasileira.
Glória era uma dessas pessoas que pareciam fazer parte da televisão desde sempre.
Em 1963, quando novela diária ainda era novidade no Brasil, ela atendeu um telefone em 2-5499 Ocupado.
Do outro lado estava Tarcísio Meira.
Ela era Emily. Ele era Larry.
A televisão juntou os dois numa história de amor. A vida resolveu não separar mais.
Depois vieram tantas mulheres.
Ana Preta, em Pai Herói. Roberta Leone, em Guerra dos Sexos. Rosemere, de Brega & Chique.
E Laurinha Figueroa.
Meu Deus, Laurinha.
Rainha da Sucata acabou, os anos passaram, mas bastava Glória levantar o queixo daquele jeito que a gente já sabia que vinha coisa.
Teve ainda a Baronesa de Bonsucesso, em Senhora do Destino, Irene em A Favorita, Stelinha em Totalmente Demais.
Cada geração parece ter conhecido uma Glória diferente.
Talvez por isso doa tanto.
Foi embora uma mulher que viu a televisão brasileira crescer, mudar e envelhecer. Esteve lá quando novela era ao vivo, quando o Brasil parava diante da TV, quando o capítulo do dia seguinte virava assunto em todo canto.
Até que Tarcísio se foi.
Glória ficou.
E agora chegou a hora de a gente se despedir dela também.
Laura Cardoso ontem. Glória Menezes hoje.
Em menos de 24 horas, a dramaturgia brasileira perdeu duas mulheres que pareciam pertencer à televisão do mesmo jeito que a televisão pertence às nossas casas.
Mas artista tem esse jeito bonito de desafiar despedida.
Você liga Rainha da Sucata.
Laurinha entra em cena.
Glória está lá.
Volta Brega & Chique.
Rosemere aparece.
Glória está lá de novo.
E em algum lugar vai existir para sempre aquela jovem atriz atendendo um telefone sem imaginar tudo que ainda viveria depois daquela ligação.
Do outro lado, Tarcísio.
No meio, uma vida inteira.
Obrigado por tudo, Glória. 🤍