13/05/2026
A abertura da Agrotins 2026 foi palco de um mal-estar político que o governador Wanderlei Barbosa tentou rapidamente estancar — não com soluções, mas com transferência de responsabilidades. Diante do pátio desfalcado por nomes de peso do maquinário agrícola, Wanderlei não assumiu qualquer falha de articulação estadual, preferindo apontar o dedo diretamente para o Palácio do Planalto e para a economia nacional. A estratégia da terceirização: A culpa é de Brasília Ao ser questionado sobre o sumiço de fabricantes que são os pilares da tecnologia no campo, Wanderlei adotou uma postura de "espectador". O governador jogou a conta no colo do presidente Lula, afirmando que o esvaziamento é fruto exclusivo da política de juros do Governo Federal e das condições de crédito rural. Para Barbosa, o governo estadual fez a sua parte ao "abrir os portões", tratando a desistência das grandes empresas como um problema externo que o Tocantins apenas assiste, sem poder — ou intenção — de intervir para reverter o cenário. O álibi do "mal de muitos" Buscando blindar sua gestão de críticas sobre a perda de prestígio da feira, Wanderlei utilizou o argumento de que outros estados também estão "no mesmo barco". Citou vizinhos como Maranhão e Piauí para justificar que a falta de lucro das empresas é um fenômeno regional, tentando transformar uma deficiência de sua vitrine agrícola em uma fatalidade econômica inevitável. "Não é nenhuma retaliação a nenhum dos estados", declarou, em uma fala que soou mais como uma justificativa antecipada do que como uma defesa do potencial do Tocantins. Quantidade sobre Qualidade Em vez de encarar a perda de representatividade das grandes marcas, o governador tentou mudar o foco da conversa para as estatísticas. Alegou que a edição atual tem mais expositores que a anterior, ignorando que o "vazio" deixado pelas gigantes do setor não é preenchido apenas por números, mas pela perda de volume de negócios e de inovação pesada. Enquanto o setor produtivo esperava ações diretas para garantir a competitividade da maior feira do Norte, recebeu um discurso político focado em: Transferência de culpa para o Governo Federal; Normalização da crise comparando com outros estados; Fuga da responsabilidade institucional sobre o esvaziamento comercial do evento.
Em tom de esquiva, Governador atribui ausência de marcas históricas à política federal de juros e ignora falta de soluções locais