04/02/2026
Crise no discurso, caixa cheio na realidade
Enquanto o prefeito Aurélio Goiano insiste em repetir nas redes sociais que Parauapebas estaria “quebrada” ou à mercê da queda dos repasses da mineração, os números oficiais contam outra história.
Não se trata de opinião, nem de interpretação política: os dados da própria Prefeitura desmontam a narrativa de colapso financeiro.
O discurso da crise passou a funcionar como uma cortina de fumaça conveniente. Sempre que obras atrasam, serviços não avançam ou promessas não se concretizam, a justificativa aparece pronta: falta de dinheiro. O problema é que o dinheiro está entrando — e em volume expressivo.
Arrecadação forte e diversificada
Somente em janeiro de 2026, Parauapebas arrecadou R$ 175,8 milhões, segundo relatório oficial de receitas. É um valor que, por si só, inviabiliza a ideia de um município asfixiado financeiramente.
Mais grave para o discurso oficial é a diversificação da arrecadação. A dependência exclusiva da mineração, usada como argumento político, não se sustenta:
FPM: R$ 6,6 milhões em transferências federais.
ICMS: repasse estadual contínuo.
IPVA: entradas regulares.
ISS: arrecadação constante de pessoas físicas, jurídicas, Simples Nacional e retenções.
IPTU e ITBI: receitas diárias impulsionadas pelo mercado imobiliário.
Taxas e licenças: fiscalização urbana, ambiental, sanitária e alvarás rendendo milhões.
Saúde (SUS): recursos carimbados entrando todo mês.
Isso significa que, mesmo com oscilações na CFEM, o município segue com múltiplas fontes de receita ativa, previsível e constitucionalmente garantidas.
Quando o problema não é dinheiro, é gestão
A insistência no discurso da “cidade quebrada” começa a soar menos como diagnóstico e mais como estratégia política. Ao repetir a narrativa da crise, o governo tenta baixar expectativas, neutralizar cobranças e justificar a lentidão administrativa.
Mas a conta não fecha.
Fonte:
https://canalpbs.com.br/aurelio-goiano-fala-em-crise-mas-parauapebas-arrecadou-r-1758-milhoes-so-em-janeiro/