25/01/2022
NOTA DE SOLIDARIEDADE E APOIO AS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA:
Nós do Fórum de Mulheres do Agreste de Pernambuco e do Coletivo LGBT de Passira, viemos por meio desta, expressar publicamente nossa solidariedade as mulheres vítimas de violência doméstica, estejam essas, vivenciando relações heterossexuais ou homossexuais, em especial enfatizar nosso apoio irrestrito a .everlly.
Vivemos em uma sociedade machista e ra***ta, que expõe o corpo das mulheres as mais diversas violências, e mesmo em relações lésbicas acabam vivenciando a reprodução do poder cisheteronormativo. Denunciar a violência doméstica é desafiador para as vítimas, em especial nos casos em que os agressores/as ocupam espaços de poder, mas, quando feito, a voz da mulher violentada se torna a voz de muitas outras que ainda se encontram silenciadas pelo medo.
No caso em especifico, a agressora denunciada por sua ex-companheira .everlly, ocupa cargo legislativo na câmara municipal da cidade de Passira, salientamos que no período eleitoral, a acusada usava o lema “Lugar de Mulher é onde ela quiser”; lema do movimento feminista, que constrói uma árdua luta para desconstrução das desigualdades entre homens e mulheres. Para nós, ter mulheres ocupando espaços de poder é fundamental para construção de políticas efetivas de enfretamento as violências, mas não são todas as mulheres que nos representam, não é a apenas identificação de gênero e orientação sexual que define consciência politica, são as práticas.
Salientamos que, mesmo após a denúncia formal através de Boletim de ocorrência, e divulgação realizada pela vitima através das redes sociais com ampla repercussão na sociedade Passirense e circunvizinha, observamos pronunciamento da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Passira, que em vez de demonstrar publicamente repúdio ao ocorrido e solidariedade à vítima, já que em casos como este, no qual a agressora tem relação de poder e hierarquia social no município, posicionamento deste órgão surte efeito social, se atem a dizer que a cobrança da sociedade tem haver com “apelo midiático”. Este “posicionamento” não condiz com a prática que desejamos e acreditamos ser função desta secretaria, que é responsável pelo serviço de referência em atendimento a mulheres vitimas de violência.
Este caso, que ganhou notoriedade pública, é emblemático, visto que a acusada é vereadora eleita com voto popular da cidade, e a vitima denunciou as ameaças vivenciadas, além das próprias violências físicas e psíquicas.
Expressamos nosso repúdio ao engessamento e negligência do órgão de proteção, não só nesse caso, mas em tantos outros. É necessário que uma deputada precise interferir com seu capital político, cobrando posição deste órgão para que providências sejam tomadas?
F**a a dúvida , se neste caso a vitima é desamparada, como ficam as mulheres que não conseguem repercussão pública dos seus casos?